A pesca de arrasto responde por quase 60% dos descartes de animais marinhos no mundo, segundo estimativas baseadas em dados da FAO. A técnica, uma das mais usadas pela indústria pesqueira, também danifica habitats do leito oceânico e pode liberar grandes quantidades de CO₂.
A modalidade de arrasto de fundo captura cerca de 19 milhões de toneladas de peixes e invertebrados por ano. As redes, que podem ter dimensões comparáveis a campos de futebol, são rebocadas por embarcações e revolvem o sedimento marinho.
Um estudo publicado em 2020, com base em dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), estimou que mais de 9 milhões de toneladas de animais foram descartadas anualmente entre 2010 e 2014. O volume representava cerca de 11% da captura total no período.
Além das espécies procuradas, as redes capturam tubarões, raias e tartarugas, devolvidos ao mar muitas vezes mortos. Simon Thrush, professor de ciências marinhas da Universidade de Auckland, afirma que os impactos ocorrem mesmo longe de áreas habitadas.
Quando arrastados pelo fundo, os equipamentos quebram ou removem corais e esponjas, que oferecem abrigo e alimento para diversas espécies. A recuperação desses ambientes pode levar décadas ou séculos, segundo o pesquisador.
O arrasto de fundo também interfere no ciclo do carbono. Sedimentos oceânicos armazenam grandes quantidades do elemento, e o contato com as redes expõe parte desse material ao oxigênio, convertendo-o em CO₂.
Um estudo de 2024, publicado na Marine Conservation and Sustainability, estimou que entre 55% e 60% do CO₂ produzido nesse processo chega à atmosfera em até dez anos. As emissões podem chegar a aproximadamente o dobro das geradas pela queima de combustíveis de toda a frota pesqueira mundial.

