O professor da Universidade de São Paulo (USP) e membro do Conselho de Administração da IEEE Computer Society, Alfredo Goldman, afirmou que a computação quântica está entre as tecnologias mais arriscadas dos próximos anos, mas que deixar de investir nela pode representar desvantagem estratégica para os países. A avaliação foi feita em entrevista gravada em 6 de outubro, em Brasília.
“Eu acho que essa é muito arriscada, mas não dá para não investir nela”, declarou o pesquisador, único brasileiro a participar do Megatrends 2030, documento do IEEE com projeções sobre o avanço da tecnologia até 2030.
Segundo Goldman, a corrida pelo desenvolvimento da computação quântica é impulsionada pelo chamado Fomo — sigla em inglês para fear of missing out, o medo de ficar de fora. Nenhum país quer correr o risco de ficar para trás em uma tecnologia que pode transformar a capacidade de processamento de informações.
Um dos principais riscos é a possibilidade de computadores quânticos avançados quebrarem sistemas de criptografia amplamente usados na internet, comprometendo informações sensíveis de governos, empresas e usuários. Existem, porém, métodos de criptografia pós-quântica desenvolvidos para resistir a esse tipo de ameaça.
Goldman demonstrou ceticismo quanto às previsões de que máquinas plenamente funcionais estejam próximas. Ele afirmou que os protótipos ainda apresentam dificuldades técnicas, sobretudo relacionadas à elevada quantidade de erros durante o processamento. O problema tende a aumentar conforme cresce o número de qubits, unidades de informação da computação quântica. “Eu diria que em 5 anos a gente não vai ver muita coisa”, afirmou.
O pesquisador lembrou que acompanha promessas de avanços na área desde o início dos anos 2000, mas que os equipamentos continuam predominantemente em estágio experimental. “E não é que eles estão em estágio de protótipo hoje, eles estão em estágio de protótipo nos últimos 10, 15 anos”, disse.
Em 24 de novembro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou a Genesis Mission, iniciativa coordenada pelo Departamento de Energia norte-americano. Em junho de 2026, foi lançado o Quantum Genesis, programa para desenvolver, até 2028, computadores quânticos com correção de erros. Goldman explica que a teoria e os algoritmos já existem há décadas; o problema é o hardware. “Você consegue quebrar toda a criptografia que é usada hoje na internet”, afirmou.


