A Petrobras registrou produção de 2,96 milhões de barris de petróleo por dia em setembro, alta de 1% ante agosto, segundo dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O volume superou o consenso de 2,77 milhões e impulsionou as ações da estatal, que subiam mais de 1% nesta quarta-feira (14).
O avanço foi puxado pelos campos de Búzios, cuja produção cresceu 2% no mês, e Tupi, com expansão de 8%. Búzios superou 1 milhão de barris por dia pelo segundo mês consecutivo, enquanto Tupi produziu aproximadamente 550 mil barris por dia, após operar perto de 500 mil entre maio e agosto.
No terceiro trimestre, a produção média de petróleo da companhia atingiu 2,89 milhões de barris por dia, avanço de 6% ante o trimestre anterior. O volume ficou acima dos 2,77 milhões considerados pelo consenso do mercado.
Na avaliação do Bradesco BBI, os dados serão positivos para a Petrobras, com o desempenho reforçando a expectativa de que as estimativas de produção do mercado continuem sendo revisadas para cima, o que pode resultar em projeções maiores de EBITDA, lucro e geração de caixa para o terceiro trimestre. Os analistas ponderam, porém, que ainda é cedo para concluir que o patamar de 2,96 milhões será mantido nos próximos meses.
“Apesar dessa ressalva, o desempenho de setembro é consistente com nossa curva de produção revisada, que considera produção de petróleo de 2,8 milhões de barris por dia em 2027 e 3,05 milhões em 2028. O fato de a companhia já ter alcançado um nível mensal superior à projeção anual de 2027 adiciona conforto à tese, embora não deva ser extrapolado de forma direta”, avalia o BBI.
Também nesta semana, a Petrobras anunciou a assinatura dos acordos de equalização relacionados aos reservatórios compartilhados de Berbigão e Sururu. A companhia receberá um valor líquido de cerca de US$ 859 milhões de seus parceiros nos consórcios, equivalente a 0,52% do valor de mercado, com liquidação até novembro de 2026. Em abril, a ANP aprovou os Acordos de Individualização da Produção (AIPs), com participações finais da Petrobras de 45,4% em Sururu e 62,9% em Berbigão, com vigência a partir de 1º de maio.
A XP Investimentos avalia a notícia como positiva, apontando que o acordo equivale a um yield de 0,52% e deve apoiar a geração de caixa e os dividendos da Petrobras no quarto trimestre. Os AIPs são necessários quando um reservatório se estende além dos limites de uma área sob concessão. “Neste caso, o processo de individualização envolveu o Contrato de Concessão BM-S-11A e o Contrato de Cessão Onerosa”, explicam os analistas.

