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Petrobras quer usar Belém como base para exploração no Amapá

Carla Fernandes
Última atualização: 10 de outubro de 2026 14:14
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

A Petrobras considera Belém uma base logística estratégica para apoiar uma possível produção de petróleo na costa do Amapá. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a capital paraense reúne condições para dar suporte às operações na Margem Equatorial, mas a perspectiva depende da confirmação da viabilidade comercial das descobertas na região.

A declaração foi feita durante visita de Magda a Belém para as celebrações do Círio de Nazaré, cuja principal procissão está marcada para este domingo (11). Segundo a executiva, a estrutura logística no Pará poderá ter papel importante caso a campanha exploratória confirme o potencial petrolífero da região. “Belém é uma base de apoio importante para qualquer trabalho a ser realizado no Amapá”, afirmou.

A possibilidade já estava prevista no planejamento da companhia. Em comunicado de maio de 2023, a Petrobras citou o porto de Belém como base logística, o aeroporto de Oiapoque como apoio aéreo e a instalação de uma estrutura de atendimento à fauna na capital paraense.

A expectativa de abrir nova fronteira petrolífera no Norte está relacionada aos resultados do poço Morpho, no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. O poço alcançou cerca de sete quilômetros de extensão e apresentou indícios de petróleo em dois intervalos. A primeira descoberta foi anunciada em agosto; em 2 de outubro, a estatal informou ter identificado petróleo também no segundo intervalo.

As análises iniciais indicaram boa qualidade do óleo encontrado no primeiro intervalo. Já o material da parte mais profunda ainda precisa de caracterização laboratorial. “Na fase exploratória temos muitas dúvidas”, declarou Magda. A presença de petróleo, por si só, não confirma reserva comercialmente viável — é preciso avaliar volume recuperável, produtividade dos reservatórios e extensão das acumulações.

A companhia tem licença para perfurar outros três poços de delimitação e prevê mais oito no Amapá. Segundo a executiva, um eventual polo produtor na região poderá compensar o futuro declínio da produção do pré-sal. A Petrobras prevê concluir as manobras finais no Morpho até o fim de outubro; depois, a sonda seguirá para o Rio Grande do Norte, onde atuará no poço Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar.

Questionada sobre impactos às comunidades tradicionais, Magda afirmou que a estatal adota medidas de segurança e cuidados ambientais. Em 4 de janeiro, porém, o Ibama comunicou perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço, com descarga do material no mar. As operações foram interrompidas e as linhas, isoladas.

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