O avanço do PL no Senado reduziu a bancada governista de 40 para 28 senadores e derrubou nomes próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (PT-AP). O resultado reflete a onda da direita e acompanha o primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com Flávio Bolsonaro (PL) na frente de Lula.
Os partidos PT, MDB, PSD, PSB e PDT somavam 40 senadores, e agora são 28, contando com um parlamentar eleito pela Rede, partido da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que disputou uma vaga no Acre e não obteve sucesso. Entre esses partidos, o PSD tem uma divisão, com senadores alinhados e outros de oposição ao governo, como Carlos Viana, de Minas Gerais, que também não se reelegeu.
Já as siglas de oposição ao governo — PL, PP, Republicanos, União Brasil, Novo, Podemos, PSDB e Avante — saíram de 40 senadores para 52. A mudança aparece também na composição individual da Casa.
Entre os senadores que não conseguiram renovar o mandato estão nomes que ocupavam posições de destaque no Congresso e acumulavam anos de atuação política. Calheiros, que já presidiu o Senado em três ocasiões, foi derrotado em Alagoas pelo deputado Arthur Lira (PP) e por Marina JHC (PSDB), esposa de João Henrique Caldas, eleito governador.
No Amapá, Randolfe Rodrigues, atual líder do governo Lula no Congresso, perdeu a disputa para Lucas Barreto (PSD), que renovou o mandato, e Rayssa Furlan (Podemos), esposa do ex-prefeito de Macapá e governador eleito Dr. Furlan (PSD). Carlos Fávaro (PSD-MT), ex-ministro da Agricultura, também ficou de fora.
No Maranhão, Eliziane Gama (PT) e Weverton Rocha (PDT) perderam as duas vagas. Gama está na política desde 2006 e havia vencido todas as eleições que disputou para o Congresso desde então. No Espírito Santo, Fabiano Contarato (PT) não conseguiu a reeleição. No Distrito Federal, Leila do Vôlei (PDT) ficou de fora, enquanto Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) conquistaram as duas vagas.
No Mato Grosso do Sul, Soraya Thronicke (PSB-MS), que se alinhou ao governo Lula após romper com o bolsonarismo, não se elegeu. No Paraná, a deputada Gleisi Hoffmann, ex-presidente do PT e ex-ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, também não conseguiu uma das duas vagas, derrotada por Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). O avanço do PL atingiu também a oposição: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), no Congresso desde 2007, perdeu a cadeira.


