As projeções eleitorais indicam favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, com o partido elegendo 121 deputados federais e 28 senadores, o que deve reconfigurar o equilíbrio entre os Três Poderes a partir de 2027. O cenário aponta para um Congresso mais alinhado à direita e potencialmente favorável a uma agenda liberal-conservadora.
Na Câmara dos Deputados, o PL confirmou sua condição de principal força política nacional ao eleger 121 parlamentares, ampliando de forma expressiva sua bancada em relação à legislatura anterior. O PT manteve estabilidade e assegurou 70 cadeiras, mas viu crescer a distância que o separa do adversário.
Partidos historicamente associados ao centrão acumularam perdas relevantes, sinalizando uma mudança no equilíbrio interno da Casa. A composição final coloca o PL isolado na liderança, seguido por um bloco intermediário formado por PT, União Brasil, PSD, PP, Republicanos e MDB. O resultado também confirma a retração de siglas tradicionais, como PSDB e Cidadania, e evidencia o avanço gradual de legendas menores.
No Senado Federal, onde dois terços das cadeiras estiveram em disputa, a onda conservadora se revelou ainda mais intensa. O PL praticamente dobrou sua representação e alcançou 28 senadores, consolidando a maior bancada da Casa. O PT aparece na segunda posição com nove assentos, enquanto partidos que tradicionalmente ocupavam posições estratégicas perderam espaço. O Novo ampliou sua presença na Casa Legislativa.
O doutor em Ciência Política Leandro Rodrigues afirmou que uma base ampla no Congresso facilita a aprovação do orçamento e permite dar continuidade às políticas públicas. Por outro lado, alertou para os riscos à fiscalização quando aliados passam a proteger o governo de questionamentos. “Há um problema democrático se a maioria usa cargos, recursos ou mudanças nas regras para dificultar a atuação dos adversários”, disse.
Rodrigues lembrou que o Brasil já teve governos do PT com maiorias expressivas, como a coligação que elegeu Dilma Rousseff em 2010, com 311 deputados e 50 senadores. Ele citou o presidencialismo de coalizão descrito por Sérgio Abranches e o exemplo de Franklin Roosevelt, cuja tentativa de ampliar a Suprema Corte em 1937 encontrou resistência dentro do próprio partido.
Sobre os freios e contrapesos, o especialista afirmou que os órgãos de controle precisam funcionar na rotina, com parlamentares cobrando explicações, tribunais de contas examinando gastos e o Judiciário controlando a constitucionalidade dos atos. Ele também destacou que uma emenda constitucional exige três quintos dos votos em dois turnos em cada Casa.

