Uma operação policial terminou em tragédia na Freguesia, na Zona Oeste do Rio, após agentes de dois batalhões da Polícia Militar trocarem tiros entre si na madrugada de domingo (11). O confronto matou o subtenente Glaucio Marcelo da Silva, de 54 anos, integrante do Bope, e deixou outros cinco policiais feridos.
O episódio aconteceu depois que uma equipe do Batalhão de Jacarepaguá confundiu os próprios colegas de farda com criminosos. Os militares do Bope estavam uniformizados e utilizavam uma viatura caracterizada da corporação, mas não foram reconhecidos. Segundo a PM, a baixa luminosidade da região teria contribuído para o erro de identificação.
A troca de tiros ocorreu na Rua Guilherme Moreira, conhecida como Beco do Saci, próximo a um dos acessos à comunidade da Gardênia Azul. Policiais do Bope abordavam o motorista de um veículo quando a equipe do Batalhão de Jacarepaguá chegou ao local. A aproximação terminou em disparos entre os próprios militares.
Moradores relataram momentos de desespero durante o confronto, que teria durado cerca de 20 minutos. Uma câmera de segurança de um condomínio próximo registrou o som dos tiros. Diante da intensidade dos disparos, moradores precisaram procurar abrigo dentro de casa.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga as circunstâncias do confronto e se houve falha de comunicação entre as unidades. Familiares do subtenente questionam se a presença do Bope na região havia sido informada aos demais batalhões. Segundo a família, as primeiras informações indicavam que não teria ocorrido comunicação prévia, mas posteriormente surgiu a informação de que um aviso havia sido realizado.
Equipes da Polícia Civil fizeram perícia no local e recolheram cápsulas de munição encontradas na rua e em veículos da corporação. Os policiais envolvidos já prestaram depoimento. Imagens das câmeras corporais deverão ser analisadas para esclarecer a sequência dos disparos.
O subtenente Glaucio Marcelo da Silva era pai de três filhos e completaria 26 anos de serviço na PM em dezembro. Grande parte da carreira foi dedicada ao Bope. O militar foi sepultado na segunda-feira (12), em cerimônia acompanhada por centenas de policiais. Em outubro de 2025, um irmão de Glaucio, também da PM, morreu durante a Operação Contenção, na Penha, que deixou 122 mortos.
Dos cinco policiais feridos no confronto, dois receberam alta e participaram do enterro. Outros três permaneciam internados no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, segundo informações divulgadas na segunda-feira.


