O Brasil chega às eleições de 2026 com poder de compra de alimentos superior ao registrado às vésperas do primeiro turno de 2022, mas ainda 13% abaixo da média pré-pandemia, segundo levantamento do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence. O primeiro turno ocorre neste domingo (4).
O estudo compara quantas cestas básicas podem ser adquiridas com o salário mínimo e a renda média do trabalho. Em agosto de 2026, o piso comprava o equivalente a 1,8 cesta básica, considerando o salário de R$ 1.621 e o preço médio de R$ 900,59 na cidade de São Paulo.
O patamar é 11,3% superior ao de agosto de 2022, quando o mínimo de R$ 1.212 comprava 1,62 cesta, com a cesta paulistana a R$ 749,78. Naquele ano, Lula venceu Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais.
Imaizumi afirma que o custo dos alimentos é um ponto sensível para os eleitores e que a melhora dos rendimentos no governo Lula não foi suficiente para fazer frente à carestia acumulada desde o choque da pandemia. Na década de 2010 a 2019, o piso comprava 2,07 cestas básicas em São Paulo.
O maior nível da série histórica, com dados desde 1998, foi em março de 2012, quando o salário mínimo equivalia a 2,28 cestas. A análise usa valores da cesta básica pesquisada pelo Dieese, que abrange 13 alimentos: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga.
Com a renda média do trabalho, o cenário é semelhante. No trimestre encerrado em agosto de 2026, o rendimento habitual de R$ 3.777 compraria 4,07 cestas básicas, 15% mais que em 2022 (3,54), mas 15% abaixo da média pré-pandemia (4,82). Os dados de rendimento são do IBGE.
Projeções de Imaizumi indicam que a capacidade de compra tende a ficar abaixo da média pré-pandemia pelo menos até dezembro de 2027. Analistas apontam o El Niño como principal risco para a inflação dos alimentos a partir do final de 2026, por alterar a distribuição das chuvas e desafiar a produção agropecuária.
Na terça-feira (29), a Folha questionou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República sobre os dados, mas não recebeu retorno. O custo da comida tem sido explorado na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que associa os preços ao governo Lula. Em propaganda eleitoral, Lula rebateu:

