Um estudo do Instituto de Berlim para População e Desenvolvimento, divulgado nesta terça-feira (06/10), projeta que a população da Alemanha cairá para cerca de 81,8 milhões até 2045, ante os atuais 83,3 milhões. A redução de 1,7 milhão de habitantes representa uma queda de 2,2% em relação ao final do ano passado. O relatório também aponta que a população em idade ativa deve encolher 4,7% no mesmo período.
O estudo, intitulado Situação Demográfica da Nação, foi elaborado em parceria com a Fundação Wüstenrot. No relatório anterior, de 2019, o instituto mencionava uma “alta demográfica temporária”, com a população crescendo e devendo permanecer estável. O cenário mudou, e mais de dois terços dos 400 distritos e cidades independentes do país agora perdem população.
Quase 200 regiões que ainda cresciam há poucos anos provavelmente encolherão, segundo o estudo. Para a presidente do instituto, Catherina Hinz, a questão decisiva já não é se a população cresce ou diminui, “mas sim onde isso ocorre”. As regiões evoluem de formas distintas, especialmente no leste do país, onde ficam 12 dos 20 distritos e cidades com as avaliações mais baixas. Em 2019, esse número era de apenas cinco.
Leipzig, Dresden e Potsdam, no leste, devem crescer. Já municípios como Suhl e Sonneberg, na Turíngia, podem perder até 30% da população. O estado do Sarre, no sudoeste, também deve encolher, ao contrário das metrópoles de Frankfurt e Düsseldorf, no oeste. Os dados revelam diferenças entre leste e oeste e entre cidades e áreas rurais.
Entre os 16 estados alemães, a Baviera se destaca: 18 dos 20 distritos mais bem classificados ficam no sul do país, ante 12 em 2019. A razão para a queda na população ativa é a aposentadoria da geração baby boom, nascida entre 1946 e 1964. Na Turíngia, Saxônia-Anhalt, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Sarre, a redução deve variar entre 12% e 18%.
Manuel Slupina, da Fundação Wüstenrot, afirmou que “a política não conseguirá deter o declínio populacional em muitas regiões, mas pode e deve geri-lo”. Para isso, seriam necessárias “novas formas de prestação de serviços públicos essenciais” e soluções adequadas a cada região. Esta é a quinta pesquisa do tipo, com 26 indicadores que cobrem demografia, economia, educação e condições sociais.

