A caderneta de poupança registrou em setembro retiradas líquidas de R$ 9,350 bilhões, quarto mês consecutivo de saques, segundo dados do Banco Central divulgados neste sábado (10). No ano, a aplicação acumula saques líquidos de R$ 66,432 bilhões até setembro.
Os saques superaram os depósitos pelo quarto mês seguido. Em maio, único mês com entradas líquidas no ano, a poupança teve resultado positivo. Desde 2021, a aplicação registra perdas anuais consecutivas de recursos, com a maioria dos meses apresentando resultados negativos.
Em setembro, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) teve saldo negativo de R$ 6,186 bilhões, enquanto a poupança rural registrou saques líquidos de R$ 3,164 bilhões.
A rentabilidade da caderneta é dada pela taxa referencial (TR) mais remuneração fixa de 0,5% ao mês, fórmula válida enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano. A taxa básica de juros está atualmente em 13,75% ao ano.
Os dados vêm na esteira da inflação de setembro, que avançou 0,82%, acima das expectativas, revertendo a deflação do mês anterior. O acumulado de 12 meses chegou a 4,58%, rompendo o teto da meta, de 4,5%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Economistas apontam piora qualitativa do indicador, com aceleração nos núcleos de inflação e resiliência nos preços de serviços. Parte do mercado se divide sobre os rumos da política monetária, que está em tendência de corte de juros.
Enquanto alguns analistas defendem a continuidade dos cortes da Selic, com base no alívio do câmbio e em sinais de desaceleração da economia, outra ala avalia que as pressões inflacionárias exigem pausa no ciclo de afrouxamento.
Especialistas citam pressão da inflação de serviços, preços de alimentos afetados pelo El Niño e petróleo próximo a US$ 100 o barril. Para o Goldman Sachs, a conjuntura deixa pouco espaço para corte de juros no curto prazo.

