O PP e o União Brasil, que formam uma federação, declararam apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial, num revés para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi anunciada nesta terça-feira (6) após reunião das Executivas Nacionais das duas siglas.
As duas siglas têm representantes na Esplanada e se mantiveram neutras no primeiro turno, quando Lula ainda era considerado favorito. Os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, participaram do encontro com dirigentes estaduais, deputados e senadores.
Nesta terça, Flávio foi a Goiás se reunir com Ronaldo Caiado (PSD), quinto colocado no primeiro turno. O PSD, no entanto, definiu no domingo que ficará neutro, liberando seus filiados. O candidato também se reuniu com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira; uma reunião com a bancada do partido está prevista para esta quarta-feira (7), e a tendência é que a sigla endosse a candidatura sem punir filiados que apoiem Lula.
Apesar do revés, a decisão já era dada como provável pelo entorno do petista. A estratégia de aliados de Lula será atuar para atrair setores e lideranças dessas siglas, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Alcolumbre não participou da reunião desta terça, sinalizando que não deve apoiar Flávio explicitamente.
Mais cedo, Alcolumbre se reuniu com o ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), para discutir a tramitação do fim da jornada 6×1. A expectativa de governistas é que a PEC, que começa a ser discutida nesta terça no Senado, possa ser votada antes do segundo turno.
Um dos fatores considerados pelos dirigentes para apoiar Flávio foi o fim das disputas estaduais e proporcionais. Ciro Nogueira, que tentou a reeleição ao Senado no Piauí e não foi eleito, tem queixas de que Lula não teria cumprido acordo de não agressão — o PT no estado nega. Em ato no Piauí, o presidente falou que não aceita “vira-latas”, interpretado como indireta a Ciro.
O escândalo do banco Master havia afastado Flávio de Ciro, alvo de operação da Polícia Federal. O candidato passou a ser investigado em inquérito no STF por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo interlocutores, a reaproximação se deu por uma mudança de expectativa do dirigente, que passou a ver Flávio como favorito.


