A proibição das apostas online, imposta pela MP 1.394, já reduziu em 10% as transações via Pix nos três dias seguintes à regulamentação e pode encolher o lucro da PagBank em até 3% em 2027, segundo o Bank of America. A Stone, por outro lado, não tem exposição ao mercado de bets e escapa do impacto.
Dados iniciais apontam que as operadoras licenciadas movimentaram R$ 88,5 bilhões em depósitos no primeiro semestre deste ano, a grande maioria via Pix. Cartões de crédito não podem ser usados em apostas, por isso ficam fora do cálculo.
Para o Bank of America, a proibição adiciona um risco de queda para as ações da PagBank (BDR: PAGS34) e da Stone (BDR: STOC34). O banco manteve recomendação neutra para ambas as companhias, em expectativa da aprovação ou não pelo Congresso.
Os cálculos do BofA estimam que as apostas online representem de 4% a 6% do volume financeiro total de pagamentos processados pela PagBank. Isso sugere que a empresa processou, sozinha, cerca de 8% do volume de apostas no Brasil.
Segundo os analistas, a companhia construiu uma base de clientes concentrada em grandes contas, no e-commerce e em operações cross-border, além das empresas de apostas. Para a PagBank, os riscos de queda se somam a uma perspectiva já desafiadora para o trimestre, com queda dos take rates, competição intensa e aumento das provisões para operações de crédito.
Com o adicional da proibição, o lucro líquido da PagBank pode encolher de 1% a 3% em 2027. A Stone, por sua vez, mantém o foco no segmento de micro, pequenas e médias empresas e não deve ser impactada pela mudança.
A MP 1.394 já foi contestada no Supremo Tribunal Federal (STF) por agentes e membros do mercado. Mesmo sem aprovação, ela está em vigor e deve reduzir de maneira considerável os volumes de apostas em outubro.

