Milhares de estudantes e professores argentinos protestaram nesta quinta-feira (15) em Buenos Aires e em outras cidades do país para exigir que o governo de Javier Milei cumpra a Lei de Financiamento Universitário. Na capital, houve confrontos entre policiais e manifestantes em frente ao Congresso, com pedras e gás lacrimogêneo.
Os incidentes ocorreram durante o ato central do protesto, na praça em frente ao Congresso, e envolveram dezenas de pessoas que atiraram pedras, enquanto policiais disparavam gás lacrimogêneo, constatou a agência AFP. Também houve manifestações em outras cidades do país.
A mobilização ocorre após vários dias de greve, protestos dentro das universidades e decisões judiciais que determinam que o Executivo cumpra a chamada Lei de Financiamento Universitário. A norma prevê a reposição das perdas salariais dos professores pela inflação desde dezembro de 2023, além da recomposição das bolsas estudantis e dos recursos para o funcionamento das universidades.
Os recursos destinados às universidades registraram queda de 40,5% em termos reais no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2023, segundo um estudo do Centro de Pesquisa em Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires.
Na capital, milhares de pessoas se concentravam após o meio-dia perto do Congresso com bandeiras de entidades estudantis e sindicatos de professores com inscrições como “Milei, cumpra a lei” e “A universidade pública é um direito, não um privilégio”. Francisca Staiti, secretária-geral do sindicato de professores Conadu Histórica, disse à AFP: “Estamos exigindo que nos paguem o que nos devem”. A dirigente afirmou que as restrições orçamentárias se refletem no “acúmulo de empregos ou na saída dos cargos” de professores.
A Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso em agosto de 2025, foi vetada por Milei e depois ratificada pelo Parlamento em outubro do ano passado. No entanto, o Executivo nunca a aplicou. Desde então, diversas decisões judiciais, entre elas uma da Suprema Corte em junho, obrigam o governo a efetuar os pagamentos.
O porta-voz presidencial, Adrián Ravier, disse na terça-feira (13) que “não é verdade que essa lei não esteja sendo cumprida”, mas que sua aplicação “está interrompida” enquanto o governo recorre à Justiça. O Executivo também argumenta que a legislação não indica de onde virão os recursos para financiá-la. Esta é a quinta marcha federal universitária desde o início do mandato de Milei, em dezembro de 2023.
Desde que chegou ao poder, ele determinou aumentos nas verbas, mas as universidades os consideram insuficientes. A marcha contou com a participação de partidos da oposição, sindicatos, organizações sociais e aposentados. Os grupos também convocaram uma mobilização em frente ao Congresso para exigir a revogação de um megadecreto de Milei que, entre outras medidas, elimina a restrição à venda de terras rurais a estrangeiros.

