O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta na redução da abstenção para vencer Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno, mas os dados do 1º turno mostram que a estratégia pode beneficiar o adversário. As regiões com maior falta de eleitores — Sudeste, Sul e Centro-Oeste — foram justamente onde Flávio teve mais votos. A abstenção nacional foi a maior desde 1998, com 33.444.876 eleitores ausentes.
O Sudeste foi a região campeã de abstenção, com 22,7% dos eleitores deixando de votar. Foram 15.063.212 ausentes, o que representa 45% de todas as abstenções do país. No 1º turno, Flávio superou Lula na região por 24,9 milhões a 19,2 milhões de votos.
Além do Sudeste, Centro-Oeste (21,7% de abstenção), Sul (20,5%) e Norte (19,4%) também tiveram taxas acima ou próximas da média nacional (21,1%) e deram vitória a Flávio. A soma dos faltosos nessas quatro regiões chega a 24,8 milhões.
No Nordeste, principal reduto do PT, a abstenção foi a menor do país: 18,4%, com 8.002.366 eleitores ausentes. Lula venceu por 21,5 milhões a 10,4 milhões, mas a margem para crescimento via redução de abstenção é reduzida — o contingente que deixou de votar na região é cerca de metade do registrado apenas no Sudeste.
Flávio terminou o 1º turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Na comparação com 2022, o petista perdeu 3.379.966 votos no país, enquanto Flávio ganhou 5.032.158 em relação à votação de Jair Bolsonaro na eleição anterior. O maior baque de Lula foi no Sudeste, com 1,8 milhão de votos a menos.
Em reunião na segunda-feira (5), Lula afirmou que a abstenção é o principal desafio nos 19 dias até a eleição. “Tem uma coisa em que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar”, disse. Ele também prometeu investir em “mais rádio e mais selfies” e aceitar participar dos debates contra Flávio, após recusar os convites no 1º turno.


