Os investidores mais ricos do país passaram a colocar cada vez mais dinheiro na renda fixa, que se tornou a principal aplicação desse público. Segundo levantamento da Anbima, a fatia saltou de cerca de 21% para quase 46% da carteira dos clientes private entre julho de 2021 e julho de 2026, chegando a R$ 1,28 trilhão.
Entre os clientes do varejo tradicional e de alta renda, o caminho foi o contrário: a fatia da renda fixa caiu de 76,9% para 66,3% no mesmo período.
O dinheiro dos mais ricos aplicado na classe mais que triplicou em cinco anos. O patrimônio total desse público chegou a R$ 2,8 trilhões, e de cada R$ 100 que cresceu no período, R$ 86 vieram da renda fixa.
Luiz Henrique Carvalho, gerente de Distribuição da Anbima, afirma que os juros altos explicam boa parte do movimento. A Selic saiu de 4,25% para 14,25% ao ano entre julho de 2021 e julho de 2026. “As taxas foram o grande chamariz, mas vieram acompanhadas de uma ampliação importante da oferta”, diz.
“O cliente private passou a ter acesso a mais emissores e a novas estruturas de crédito privado, o que tornou a renda fixa não só mais rentável, como também mais diversificada dentro da própria classe”, explica Carvalho.
Hoje, de cada R$ 100 investidos pelos mais ricos, cerca de R$ 46 estão na renda fixa, R$ 27 em renda variável, R$ 16 em produtos híbridos, como fundos imobiliários e multimercados, e pouco mais de R$ 10 em previdência. Em 2021, a renda variável liderava, com cerca de 40% da carteira.
O valor em renda variável cresceu 8,3% no período, em ritmo menor que o da renda fixa. Os fundos de renda fixa foram os que mais cresceram em volume, chegando a R$ 350,6 bilhões, o equivalente a 12,5% da carteira. As ações seguem como segundo investimento mais usado, com quase 20%, à frente dos multimercados, com 13,9%. A poupança tem apenas 0,2%.
O levantamento reúne dados de 89 instituições. A faixa private é definida pela Anbima: desde 2023, o mínimo é de R$ 5 milhões em investimentos, ante R$ 3 milhões. A divisão entre varejo tradicional e alta renda varia conforme critérios internos de cada banco ou corretora.

