O Rio de Janeiro tem 3.025.629 pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a aproximadamente 19% da população fluminense, segundo dados do Censo 2022. São 1.763.244 mulheres e 1.262.385 homens nessa faixa etária. O estado também contabilizava 2.712 pessoas com 100 anos ou mais.
Os números ganham relevância neste 1º de outubro, Dia Nacional da Pessoa Idosa. No Rio, já existem cerca de 106 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças de até 14 anos, um retrato de uma população que precisará discutir cada vez menos sobre viver mais e cada vez mais sobre como viver esses anos com independência, mobilidade, cognição e qualidade de vida.
Para a geriatra Priscila Guerra, envelhecimento saudável não começa aos 60 ou 70 anos. Ele é resultado de escolhas e cuidados construídos durante toda a vida. “Quando falamos em envelhecer bem, precisamos abandonar a ideia de que basta chegar a uma idade avançada sem uma doença grave. O que buscamos é preservar funcionalidade e autonomia”, disse.
Entre os fatores que podem determinar a autonomia ao envelhecer está a massa muscular. Para o ortopedista Fernando Jorge, o sedentarismo pode representar um risco maior do que começar a se movimentar com acompanhamento e progressão adequados. “Depois dos 50, preservar massa muscular, força, equilíbrio e saúde óssea deixa de ser apenas uma questão de condicionamento e passa a ser fundamental para a autonomia”, explicou.
Autonomia, porém, não depende apenas da capacidade de caminhar ou realizar atividades físicas. Memória, atenção, raciocínio, linguagem e capacidade de tomar decisões também interferem diretamente na independência ao longo do envelhecimento. A gerontóloga Thais Bento Lima da Silva, mestra e doutora em Ciências com ênfase em Neurologia Cognitiva e do Comportamento, explicou que envelhecer não significa necessariamente deixar de aprender.
“O cérebro continua respondendo a estímulos ao longo da vida. Por isso, uma longevidade saudável também passa por manter curiosidade, aprendizado, interação social e atividades que desafiem diferentes habilidades cognitivas”, afirmou.
Em 2022, o Rio de Janeiro tinha população total de pouco mais de 16 milhões de habitantes. Entre os idosos, as mulheres são maioria, e essa diferença aumenta nas idades mais avançadas: aos 80 anos ou mais, havia aproximadamente 51 homens para cada 100 mulheres no estado.
Para Priscila Guerra, o envelhecimento populacional exige que a discussão sobre saúde ultrapasse o consultório. “Quando quase uma em cada cinco pessoas de um estado já tem 60 anos ou mais, envelhecimento deixa de ser uma pauta apenas da geriatria e passa a ser uma questão de sociedade”, finalizou.

