Um robô humanoide sobre rodas desenvolvido na China foi apresentado no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, em Campinas (SP), nesta semana. O equipamento, modelo Cruzr S2, da UBTECH Robotics, pode ser usado em tarefas como separação de materiais, montagem de peças e movimentação de cargas em armazéns. A empresa brasileira AutorIA, que trouxe o robô ao país, afirmou que a demonstração foi uma oportunidade para discutir a integração entre pessoas e máquinas.
O robô consegue girar em corredores de 0,8 metro de largura e movimentar cargas de até 15 kg entre o chão e 1,8 metro, segundo a fabricante. A UBTECH, sediada em Shenzhen, no sul da China, registrou receita de 1,27 bilhão de yuans (cerca de US$ 190 milhões) no primeiro semestre de 2026, alta de 104,2% ante o mesmo período do ano anterior.
Em setembro, a empresa anunciou pedidos internacionais superiores a 50 milhões de yuans (cerca de US$ 7,5 milhões) de clientes da Europa, do Japão e da República da Coreia. As remessas chinesas de robôs humanoides ultrapassaram 40 mil unidades no primeiro semestre deste ano, o equivalente a 97% do total mundial, segundo o Relatório sobre o Desenvolvimento da Indústria de Robôs Humanoides 2026.
Li Chaoyi, responsável pelas vendas internacionais da Booster Robotics, afirmou à agência Xinhua que os produtos robóticos chineses são competitivos e que os mercados estrangeiros confiam cada vez mais neles. Segundo ele, os clientes valorizam a estabilidade, a facilidade de uso e a rápida evolução tecnológica.
O mercado brasileiro de automação também cresce. O Brasil instalou quase 4.300 novos robôs industriais em 2025, alta de 38% sobre o ano anterior, conforme o relatório World Robotics 2026, da Federação Internacional de Robótica. Desse total, quase 2.100 foram para a indústria automotiva, aumento de 212%.
A entidade avaliou que os investimentos de fabricantes chinesas de automóveis no Brasil provavelmente impulsionaram a demanda por robôs no setor. O pesquisador Flávio Tonidandel, diretor da Socialdroids Robotics, disse à Xinhua que a China avançou no desenvolvimento de robôs humanoides e que o Brasil tem oportunidades de participar do processo.
Tonidandel afirmou que os algoritmos desenvolvidos no país precisam ser adaptados às necessidades locais. “Essa colaboração é muito importante para os 2 lados. No fim, os robôs humanoides serão usados no mundo inteiro”, declarou.


