A apuração das eleições para o Governo do Rio de Janeiro neste domingo (4) trouxe uma surpresa: Douglas Ruas (PL) lidera com 49,31% dos votos, contra 42,72% de Eduardo Paes (PSD), com 99,46% das seções apuradas. A diferença é de 6,59 pontos percentuais. Mas a definição de um eventual segundo turno, previsto para 25 de outubro, depende da situação jurídica dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos), que estão sub judice.
Os votos recebidos por Garotinho estão sub judice após o indeferimento de seu registro de candidatura. Como podem ser excluídos do cálculo da maioria absoluta, Ruas poderá ultrapassar os 50% necessários para vencer no primeiro turno, dependendo do tratamento definitivo dado pela Justiça Eleitoral. A possibilidade foi apontada pela imprensa, com base em projeção do Datafolha.
O desempenho de Ruas contrariou as pesquisas divulgadas na véspera da eleição. Nos levantamentos Quaest, Datafolha, AtlasIntel e Prefab/DIÁRIO DO RIO, Paes aparecia numericamente à frente do candidato do PL. Nas urnas, Ruas assumiu a dianteira desde as primeiras parciais, chegando a ultrapassar os 50% em determinados momentos, antes de recuar para 49,31%.
Na sexta-feira (2), o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, revogou uma liminar que permitia a Garotinho manter suas prerrogativas eleitorais. A decisão determinou que os votos destinados a ele sejam considerados anulados sub judice enquanto permanecer o indeferimento. A defesa de Garotinho recorreu e busca reverter as restrições.
Para ser eleito no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Se os votos de Garotinho forem excluídos da totalização usada para definir a maioria absoluta, o percentual dos demais candidatos aumenta proporcionalmente. Com Ruas próximo dos 50%, essa diferença pode ser suficiente para encerrar a eleição já no próximo domingo.
Eduardo Paes, que apostou na experiência de quatro mandatos à frente da Prefeitura do Rio, tentou ampliar sua presença no interior com eventos e cavalgadas. A escolha de Jane Reis (MDB), de Duque de Caxias, para a vice também fez parte desse movimento. Durante a campanha, Paes criticou Ruas por sua ligação com os governos de Cláudio Castro e Wilson Witzel, além de citar reportagens sobre a relação comercial entre uma empresa do candidato e uma mineradora ligada à família do deputado federal Altineu Côrtes (PL).
Ruas, de 37 anos, é deputado estadual em primeiro mandato e presidente da Alerj. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), ingressou na Polícia Civil por concurso público e foi secretário estadual das Cidades. Na campanha, usou o slogan “Rio Real” para explorar problemas da Região Metropolitana e do interior, com foco em segurança pública. Também se aproximou de Flávio Bolsonaro (PL), que disputou a Presidência neste domingo.


