O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, convocou uma eleição geral para 29 de novembro, antecipando em vários meses uma votação prevista para 2027. A decisão ocorreu depois de o governo não conseguir aprovar no Congresso um pacote emergencial para enfrentar o alto custo da habitação, tema que vem provocando protestos em diferentes partes do país.
A pressão sobre o governo aumentou após o caso de uma mulher de 87 anos expulsa de sua casa em Madri depois de um forte aumento do aluguel. O valor, que era de 500 euros por mês, chegou a 2.650 euros e depois foi reduzido para 1.650, ainda 300 euros acima da aposentadoria mensal da idosa.
O episódio ajudou a impulsionar manifestações em diferentes cidades espanholas. No sábado, cerca de 50 marchas foram realizadas em locais como Madri, Barcelona e Valência, em protestos relacionados ao custo da moradia e à situação dos inquilinos.
O pacote apresentado pelo governo previa, entre outras medidas, suspender até 2030 as expulsões de inquilinos considerados vulneráveis, prorrogar por dois anos contratos que terminariam antes de 2028 e estabelecer a renovação automática dos contratos de aluguel. As propostas incluíam ainda aumento de impostos para apartamentos destinados ao turismo e restrições à compra de imóveis residenciais por grandes fundos. Dois decretos foram rejeitados pelo Congresso por 178 a 172 e por 184 a 166 votos.
Sánchez está no cargo desde junho de 2018 e lidera uma coalizão minoritária formada por forças de esquerda, que depende ainda do respaldo de partidos nacionalistas catalães e bascos. A estratégia do primeiro-ministro é transformar a eleição em uma escolha sobre o rumo do país e mobilizar o eleitorado progressista diante do avanço da direita.
As pesquisas apontam o Partido Popular, de direita e principal força de oposição, como favorito para conquistar o maior número de cadeiras. O Partido Socialista Operário Espanhol, de Sánchez, aparece atrás. Uma vitória do Partido Popular, porém, não garantiria por si só a formação de um governo. Os conservadores provavelmente precisariam do apoio do Vox, partido de direita radical, para alcançar maioria parlamentar.
Na eleição de 2023, o Partido Popular terminou à frente dos socialistas em número de cadeiras, mas não conseguiu reunir apoio suficiente para governar. Sánchez articulou então o apoio de partidos de esquerda e de grupos nacionalistas catalães e bascos e permaneceu no cargo.
O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, comemorou a convocação e apresentou a eleição como uma oportunidade para os espanhóis escolherem entre a continuidade de Sánchez e uma mudança de governo. O partido publicou nas redes sociais a expressão “por fin”, ou “finalmente”.


