Três partidas abrem nesta terça-feira (6) a 32ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, a primeira do futebol nacional sem patrocínio de casas de apostas após o início do veto às publicidades de bets no país, determinado pela Medida Provisória 1.394 de 2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A MP das Bets, como ficou conhecida, proibiu apostas esportivas e jogos on-line no país. A saída das marcas ocorreu depois que as principais casas de apostas deixaram de operar no Brasil. Sem decisão do Supremo Tribunal Federal para suspender os efeitos da medida, as empresas tiveram de cumprir a determinação do governo e retirar seus sites e materiais publicitários do ar.
Os jogos desta terça-feira são Sport x São Bernardo, às 19h30; Goiás x Athletic Club, às 20h30; e Ponte Preta x Juventude, às 21h35.
Na sexta-feira (2), o ministro Luiz Fux determinou prazo de 72 horas para que a Advocacia-Geral da União apresentasse informações sobre a MP. Nesta terça, a AGU pediu ao STF o indeferimento dos pedidos apresentados por entidades do setor de apostas e defendeu a manutenção integral da proibição das bets no país. Sugeriu ainda que o ministro avalie a realização de uma nova audiência pública sobre o tema.
Entre os clubes que jogam nesta terça, alguns já substituíram as marcas de apostas por empresas de outros setores. A Ponte Preta, que tinha acordo com a Ginga Bet, agora tem a Crear Empreendimentos como patrocinadora máster. O São Bernardo estampa a marca da Magnum SCD na principal área comercial da camisa. O Athletic Club trocou a Betnacional pelo Esquadrão 1909, loja oficial do clube.
O Sport Recife, que também deixou de exibir a Betnacional, fechou acordo pontual com a Banlek para a partida contra o São Bernardo. A plataforma de tecnologia voltada ao mercado de fotografia ocupará o espaço principal da camisa. O Goiás informou que o contrato com a Viva Sorte Bet foi encerrado antes da edição da MP e que negocia com um novo patrocinador. O Juventude, que chegou a estampar a Parmalat em duas rodadas, terá o uniforme limpo no jogo contra a Ponte Preta.
A proibição de novas ações de publicidade não impede a comercialização de produtos já fabricados com marcas de casas de apostas. A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) concluiu que camisetas de clubes produzidas antes da MP podem continuar sendo vendidas. Segundo nota técnica, a presença da marca em peça fabricada anteriormente não configura nova ação de publicidade, propaganda, marketing ou patrocínio. A Secom classificou esse material como “conteúdo legado”.
Clubes da Série A e da Série B tinham contratos com bets para exposição em uniformes e outras propriedades comerciais, e parte dessas receitas deixou de existir com a entrada em vigor da MP. Entidades do setor, emissoras de rádio e TV e clubes como Flamengo, São Paulo, Ponte Preta, Guarani, Portuguesa, Vitória, Botafogo, Cruzeiro e Fluminense já acionaram o Supremo contra a medida.


