O presidente do Corinthians, Osmar Stabile, desistiu de concorrer à presidência do clube. Em carta aberta divulgada na quinta-feira (15), o dirigente afirmou que uma candidatura poderia interferir na estabilidade política da instituição e anunciou que não participará da eleição marcada para 28 de novembro.
Stabile chegou a considerar a disputa, mas enfrentava questionamentos sobre sua elegibilidade e investigações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A interpretação do estatuto sobre o tempo de permanência na presidência poderia impedir sua candidatura.
Na carta, o dirigente afirmou que pretende concentrar seus esforços na reorganização financeira do Corinthians, especialmente na negociação com a Caixa Econômica Federal. Também prometeu concluir o mandato com o compromisso de recuperar a credibilidade do clube, organizar as contas e fortalecer a administração.
Stabile assumiu interinamente a presidência em 26 de maio de 2025, depois do afastamento cautelar de Augusto Melo, de quem era vice-presidente. Os sócios confirmaram o impeachment em 9 de agosto daquele ano. Em 25 de agosto, Stabile foi eleito pelo Conselho Deliberativo para concluir o mandato, que termina em dezembro de 2026.
O estatuto proíbe a reeleição consecutiva, mas abre exceção quando o dirigente é eleito para preencher vacância por período inferior a 18 meses. A divergência estava no início da contagem: a posse interina, em maio, ou a eleição pelo Conselho, em agosto. Considerando a posse interina, os 18 meses seriam completados em 26 de novembro de 2026, dois dias antes da eleição. O presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, chegou a recomendar que Stabile renunciasse para não atingir esse período.
Na esfera criminal, o MP-SP denunciou Stabile por apropriação indébita. O caso envolve a contratação, com recursos do Corinthians, da Bear Security para prestar segurança particular ao dirigente. Segundo a acusação, a empresa não tinha autorização da Polícia Federal para atuar no setor. Stabile afirma que o serviço se justifica pela natureza do cargo. O MP também investiga a contratação da Mega Assessoria Operacional, registrada em nome de um funcionário do clube, por R$ 676,6 mil. As duas contratações motivaram um pedido de impeachment contra Stabile, apresentado por conselheiros e associados em junho.
Outra apuração trata dos pagamentos de R$ 6,9 milhões à empresa responsável pelo programa Fiel da Sorte. Segundo a imprensa local, o Corinthians admitiu não ter controle dos serviços prestados. O acordo foi firmado durante a gestão de Duílio Monteiro Alves e rescindido pela atual administração em 2026. Na esfera cível, o Corinthians também é alvo de um inquérito do Ministério Público que pode resultar em um pedido de intervenção judicial.
Com a desistência de Stabile, cinco candidatos disputam a presidência em 28 de novembro: André Castro, Ilmar Schiavenato, José Augusto Mendes, Rozallah Santoro e Sergio Janikian. O vencedor comandará o clube no triênio de 2027 a 2029. A eleição será realizada em meio a instabilidade esportiva: o clube foi eliminado da Copa Libertadores e da Copa do Brasil e acumula oito derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro.

