A aplicação de toxina botulínica nos ombros, conhecida como Traptox, pode suavizar a transição entre o pescoço e os ombros, mas não altera o comprimento real do pescoço. O procedimento atua no músculo trapézio, reduzindo temporariamente sua atividade e projeção, conforme explica a médica Aline Zanatta, da Revion International Clinic, em São Paulo.
O efeito depende do quanto o trapézio participa do contorno que a pessoa deseja mudar. Quando o músculo apresenta maior volume, a porção superior pode criar uma linha mais elevada entre os ombros e o pescoço, diz a médica.
“O procedimento reduz temporariamente a atividade do trapézio. Com o passar das semanas, o músculo pode perder parte de sua projeção e criar uma transição mais suave entre os ombros e o pescoço. Não existe alongamento real, mas uma mudança na proporção visual”, afirma Zanatta.
Um estudo clínico publicado em 2026 com 20 mulheres com hipertrofia do trapézio identificou redução da área muscular após 12 semanas. O achado se refere a pacientes com aumento desse músculo, enquanto ombros largos ou elevados também podem estar relacionados à estrutura óssea, à distribuição de gordura e à postura.
Nessas situações, reduzir a atividade do trapézio pode produzir pouca mudança na aparência. Mesmo quando o músculo participa da queixa, a avaliação precisa considerar sua função e as atividades da pessoa.
O trapézio ajuda a movimentar e estabilizar os ombros, e a aplicação pode provocar fraqueza temporária, com repercussão em exercícios e tarefas que exigem esforço da região. Aline ressalta que esse equilíbrio orienta a indicação.
“Precisamos avaliar quanto do contorno está relacionado ao trapézio e o que a paciente espera modificar. A dose e os pontos de aplicação fazem parte desse planejamento, assim como discutir a possibilidade de fraqueza temporária. Se a principal queixa for dor ou tensão, é necessária uma investigação própria antes de considerar o procedimento”, conclui.

