O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (5) que o Irã poderia “destruir” Los Angeles e San Diego durante o conflito entre os países, classificando a perda das cidades como um “preço muito pequeno a pagar”. A declaração, feita em comício em Grand Island, no Nebraska, provocou críticas de autoridades da Califórnia e de um republicano que disputa uma vaga no Congresso.
“Eles podem destruir uma cidade. Deixem que destruam Los Angeles, deixem que destruam Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar, e isso vai acabar muito em breve”, disse o presidente.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, criticou a fala. Em publicação nas redes sociais, chamou Trump de “desequilibrado e perigoso” e disse que o presidente estava incentivando inimigos estrangeiros a atacar as duas cidades. “Depois de enviar a Guarda Nacional e o Corpo de Fuzileiros Navais para ocupar a Califórnia, Donald Trump diz que nossos inimigos estrangeiros podem ‘destruir’ Los Angeles e San Diego. Ele é perigoso e desequilibrado”, escreveu.
Newsom já havia tido divergências com Trump durante o envio da Guarda Nacional para Los Angeles, em junho de 2025. O presidente mobilizou as tropas para conter protestos contra a política migratória do governo, sem pedido do governador, que contestou a decisão na Justiça.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, também reagiu. Disse que Trump sugeriu que um governo estrangeiro atacasse a cidade e que as declarações poderiam comprometer a segurança dos moradores. “O papel de um presidente é proteger o país, não ameaçá-lo e encorajar ataques contra a vida de americanos”, afirmou.
O prefeito de San Diego, Todd Gloria, afirmou que a cidade não deveria ser tratada como “dano colateral” ou algo “descartável”. “San Diego não é um dano colateral. Nós não somos descartáveis. E não somos um ‘pequeno preço a pagar’. Mantenha a nossa cidade fora do seu discurso de guerra irresponsável”, publicou.
Entre os republicanos, o deputado Jim Desmond, que disputa uma vaga no Congresso, disse discordar “veementemente” dos comentários. Veterano da Marinha, escreveu que nenhuma cidade americana é descartável e que a principal responsabilidade do presidente é proteger os norte-americanos.
O diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, defendeu Trump. Disse que a repercussão não se baseia na realidade e que o presidente se referia à possibilidade de cidades serem ameaçadas caso o Irã tivesse desenvolvido uma arma nuclear. “A América está mais segura por causa do presidente”, escreveu.

