O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) comunicou ao PT que a legenda não terá, nas eleições de 2026, o tratamento privilegiado que recebeu da Justiça Eleitoral em 2022. O aviso ocorreu depois que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou denúncias de irregularidades cometidas por integrantes da campanha do presidente Lula.
Conforme apurou a imprensa local, representantes do PT tentaram obter mais prazo para responder às acusações ou o arquivamento das denúncias. Entre os casos está uma ação contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o deputado federal André Janones (Rede-MG). A campanha de Flávio acusa o parlamentar de coordenar a divulgação de conteúdos falsos contra o candidato do PL.
O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou providências para o andamento da investigação e exigiu que a campanha de Flávio apresentasse informações complementares. Em outra representação, os advogados do candidato pediram a retirada de 221 publicações de parlamentares petistas, entidades e apoiadores de Lula. Entre os alvos estão a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o coletivo 342 Artes e a Mídia Ninja.
Nesta sexta-feira, 16, Cueva examinou uma ação contra Lula, Alckmin e dirigentes sindicais. A campanha de Flávio acusa os investigados de usar recursos e estruturas de entidades para favorecer a reeleição do presidente. O corregedor determinou que cinco representantes sindicais apresentem defesa em cinco dias. Também deu 24 horas para o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro esclarecer a existência de um comitê de apoio a Lula.
Na mesma decisão, Cueva rejeitou pedidos de restrições genéricas às manifestações políticas de dirigentes sindicais e estudantis. Exigiu ainda que os advogados de Flávio individualizassem as acusações e apresentassem provas contra outros investigados.
O aumento das disputas levou o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, a reunir representantes das campanhas de Lula e Flávio na terça-feira 13. Segundo dados do tribunal, foram registrados 162 processos de representação e direito de resposta nos nove dias após o primeiro turno. No mesmo período de 2022, foram 51, alta de 217,65%.
Na reunião, Nunes Marques discutiu a possibilidade de ouvir a campanha adversária antes de decidir pedidos relacionados à propaganda eleitoral. Também cobrou medidas para evitar ataques à Justiça Eleitoral e confrontos entre apoiadores no dia da votação. No mesmo dia, o plenário do TSE manteve a retirada de publicações dos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), que associavam Flávio a organizações criminosas.


