O UBS Wealth Management elevou a recomendação para as ações brasileiras de neutra para atrativa, com potencial de alta de cerca de 25%, e rebaixou os títulos pós-fixados de neutra para não atrativa. A mudança ocorre após o primeiro turno das eleições presidenciais, que aumentou a probabilidade de guinada na política econômica, segundo relatório assinado pelos estrategistas Ronaldo Patah e Luciano Telo.
No relatório, o banco avalia que a forte alta das ações após a votação não esgota o movimento. “A reação inicial do mercado capturou parte dessa transição, mas, em nossa visão, não necessariamente toda ela”, escrevem os estrategistas.
A tese se apoia em duas fontes de retorno: expansão de múltiplos e crescimento dos lucros. O banco projeta que o múltiplo preço/lucro de dois anos à frente pode se aproximar de um desvio-padrão acima da média histórica nos próximos trimestres, à medida que investidores passem a exigir prêmio de risco menor para ativos brasileiros.
Do lado dos lucros, o UBS espera que juros menores aliviem as condições financeiras e abram espaço para revisões positivas de resultados, beneficiando setores ligados à economia doméstica, como financeiro, construção, serviços públicos e small caps. O banco cita ainda fator de posicionamento: investidores locais chegaram com exposição limitada a ativos de risco, enquanto melhora na percepção pode atrair fluxo estrangeiro.
“Esta não é simplesmente uma aposta eleitoral”, ressaltam os estrategistas, ao condicionar reprecificação duradoura à credibilidade fiscal, a uma equipe econômica bem recebida pelo mercado e a sinais concretos de que reformas podem ser implementadas.
O resultado do primeiro turno deslocou as probabilidades em direção a um ajuste mais profundo, com mudanças no equilíbrio de forças no Congresso e nos estados. A visibilidade sobre o desenho de um pacote fiscal, porém, ainda é limitada. Se o ajuste for crível, o ciclo de cortes de juros pode se estender, e a taxa terminal pode ficar abaixo do esperado, enquanto a valorização do real tende a melhorar a perspectiva de inflação.
O rebaixamento dos pós-fixados é uma decisão relativa: com a Selic em queda, a vantagem de carrego dessas aplicações tende a diminuir. Nas demais classes, títulos indexados à inflação seguem atrativos, prefixados continuam neutros e multimercados seguem não atrativos. “A eleição não eliminou os riscos do Brasil. O que mudou foi a assimetria”, resume o relatório.


