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UE e China fecham acordo para limitar importação de híbridos

Carla Fernandes
Última atualização: 14 de outubro de 2026 08:15
Carla Fernandes
Tempo: 3 min.

A União Europeia (UE) e a China fecharam um acordo preliminar para limitar as exportações chinesas de veículos híbridos e híbridos plug-in ao mercado europeu. A proposta prevê uma cota inicial de 350 mil unidades por ano, com possibilidade de entrar em vigor já em dezembro, segundo um funcionário europeu citado pelo site Axios.

O volume representa menos da metade das aproximadamente 800 mil unidades que as exportações chinesas para a Europa poderiam alcançar neste ano. Em 2025, as importações somaram 302 mil veículos.

Pelo acordo, as unidades que ultrapassarem a cota seriam barradas, em vez de submetidas a tarifas adicionais. Autoridades chinesas ressaltaram, na segunda-feira, que o mecanismo ainda permite ampliar as vendas em relação ao ano passado.

A negociação ocorre em meio à crescente preocupação europeia com a capacidade industrial chinesa e seus efeitos sobre fabricantes locais. Na semana anterior, França e Alemanha propuseram conceder a Bruxelas poderes mais amplos para restringir o acesso ao mercado europeu em casos de práticas comerciais consideradas desleais.

A mudança é significativa para a Alemanha, que se opôs às tarifas europeias sobre veículos elétricos chineses em 2024. No mês passado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o déficit comercial do bloco com a China havia chegado a um “ponto de inflexão”.

O acordo sobre os híbridos, contudo, pode reduzir o impulso político para medidas mais duras. Segundo Daniel Mullaney, pesquisador sênior do Atlantic Council e ex-integrante da área comercial do governo americano, a negociação pode deixar alguns países europeus menos dispostos a apoiar novas restrições no curto prazo.

Os Estados Unidos, por sua vez, pressionam parceiros comerciais a coordenar esforços para enfrentar o excesso de capacidade industrial chinesa. Para Mullaney, a atuação conjunta é importante para que os países consigam resultados diante do problema.

A disputa vai além do setor automotivo. A China ampliou as exportações de veículos híbridos para a Europa depois que a UE impôs tarifas elevadas aos modelos totalmente elétricos chineses, em 2024. Dados divulgados na segunda-feira citados pelo Axios mostram que as exportações chinesas de veículos de passeio para o mundo cresceram 64% em setembro, alcançando 919 mil unidades, enquanto as vendas domésticas caíram 27%.

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