O chefe adjunto da Delegação da União Europeia no Brasil, Jean-Pierre Bou, afirmou nesta quinta-feira (1º) que o país não pode se desviar dos compromissos sustentáveis assumidos internacionalmente, sob risco de comprometer seu papel como garantidor da segurança alimentar mundial. A declaração foi dada durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em São Paulo, em painel sobre segurança alimentar.
Bou reconheceu que ainda existem entraves em produtos importantes, como a carne bovina, mas disse que já é possível observar avanços comerciais vindos do acordo entre o bloco europeu e o Mercosul, fechado em 2026 após 25 anos de negociações.
“Vimos um aumento das exportações de café e o Brasil já deve ser o segundo maior exportador [para a UE], com potencial para mais”, comentou, acrescentando que isso ocorre mesmo com as tarifas não tendo caído imediatamente para zero, o que deve se dar no médio prazo.
Ele citou ainda que foram vencidos recentemente entraves para os embarques de carne de frango e mel. Sobre a suspensão feita pela UE das exportações de carne bovina por suposto descumprimento das regras do bloco contra a aplicação de antimicrobianos restritos a humanos ou para crescimento do rebanho, Bou repetiu a explicação oficial de que uma resolução depende do ciclo de vida dos bovinos, que é de dois anos.
O representante europeu focou nos pontos onde o acordo mais avança, como os esforços para definir indicações geográficas, uma exigência tradicional nos países do sul da Europa. Ele afirmou que essas definições devem alavancar produtos em regiões que comprovarem o foco na bioeconomia sustentável.
No mesmo painel, Caio Barbosa, chefe do Departamento de Crédito Rural do BNDES, concordou que o Brasil precisa ser reconhecido como potência sustentável no agronegócio. Ele disse que o banco não financia, dentro do Plano Safra, nenhum projeto rural com indícios de desmatamento ilegal.
Barbosa frisou que apenas 1% dos pedidos que chegam ao banco têm algum problema nesse sentido. O BNDES é responsável pelo repasse de cerca de R$ 50 bilhões anuais dos mais de R$ 500 bilhões que o Plano Safra destina por ano.
O mediador do painel, Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), comentou que a segurança alimentar se tornou mais urgente desde a pandemia de Covid-19 e que o Brasil tem ajudado a combater esse desafio. “Não haverá paz onde houver fome”, disse. Para o país, recomendou: “é preciso acabar com o que é ilegal”.

