A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) anunciou medidas para estudantes afetados pelo incêndio que atingiu um prédio de pesquisas na quarta-feira (7), no Recife. Entre elas, a prorrogação de bolsas da Capes e um programa de doutorado-sanduíche no exterior. O incêndio causou prejuízo estimado em R$ 100 milhões e destruiu mais de 200 pesquisas.
As medidas foram anunciadas em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (9). O reitor Alfredo Gomes afirmou que a prorrogação das bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) permitirá que estudantes de mestrado e doutorado concluam seus cursos. O programa de doutorado-sanduíche no exterior enviará alunos a laboratórios parceiros para finalizar as teses.
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou um aporte emergencial de R$ 40 milhões para recompor equipamentos destruídos. Segundo ela, a equipe do reitor faz levantamentos para garantir a retomada das atividades de pesquisa. O Ministério da Educação já havia anunciado R$ 100 milhões para reposição de equipamentos e R$ 28 milhões para reconstrução do prédio.
O incêndio afetou pesquisas nas áreas de genética, farmácia e inovação terapêutica. Estudos sobre câncer, transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e Covid-19 estão entre os atingidos. Amostras e materiais acumulados ao longo de duas décadas foram destruídos.
A Polícia Federal investiga o incêndio em duas frentes: a origem do fogo e a dinâmica dos fatos. O delegado regional executivo e superintendente substituto da PF em Pernambuco, Rodrigo Bastos, afirmou que um inquérito foi instaurado na quinta-feira (8), com equipes de perícia enviadas ao campus.
O professor Tercilio Calsa Júnior, do Departamento de Genética do Centro de Biociências da UFPE, disse que o impacto foi “absurdamente catastrófico”. O acesso ao prédio permanece proibido por segurança, e a interrupção de energia elétrica preocupa pesquisadores com amostras armazenadas em ultrafreezers a -80º C.
A doutoranda Heloísa Carvalho, de 28 anos, perdeu amostras de soro e sangue de pacientes com artrite reumatoide. Ela afirmou que o impacto é “inestimável” e que as amostras doadas não podem ser recuperadas. A estudante Gheissy Carvalho, de 28 anos, que mora na Casa do Estudante, relatou que moradores perderam alimentos com o corte de energia.


