A cantora e compositora mineira Urias afirmou que é “tempo de lutar, não de desanimar” ao comentar o cenário eleitoral brasileiro, em entrevista que marca o aniversário de um ano do lançamento de “Carranca”, seu terceiro álbum de estúdio, celebrado com show nesta sexta-feira (9) em São Paulo.
“Foi um ano de coragem”, diz Urias, que durante todo o processo de criação precisou enfrentar medos em relação ao resultado da obra. “Essa coragem não é ausência de medo, mas de caminhada com o medo.” O risco girava em torno da nova sonoridade e da possibilidade de o público não acompanhar sua transformação.
“[Tomei] a decisão de falar da minha religião, da minha espiritualidade, que acaba sendo muito política, da minha negritude, da minha ancestralidade”, afirma. O marco de um ano chega com apresentação na Audio, na av. Francisco Matarazzo, 694, com abertura de Mya Akoma e DJ Licciss, realizada pelo Toca Sessions.
Nos últimos meses, Urias sentiu que o público abraçou o trabalho e se deixou levar pela curiosidade provocada por suas referências. O resultado foi uma indicação ao Grammy Latino de melhor álbum de rock ou de música alternativa em língua portuguesa. “Hoje em dia eu já não desacredito em mais nada.”
A abertura para falar de espiritualidade marca uma mudança pessoal. Ela conta que esse aspecto de sua vida, durante muito tempo, foi mantido reservado. Com o amadurecimento, sentiu necessidade de apresentar ao público essa dimensão. “Tem mais esse pedacinho aqui de mim que faz parte de um todo, que sempre esteve presente, mas agora eu quero compartilhar.”
Antes da carreira musical, Urias estudou dança, teatro, canto, piano e inglês em Uberlândia (MG), cursou relações internacionais e tradução, trabalhou como modelo e DJ e passou pela equipe de Pabllo Vittar. Foi após se cansar da rotina 6×1 em uma loja de departamento que decidiu viver de música, com “Diaba”, de 2019.
Ao comentar o cenário brasileiro, a cantora diz estar “completamente assustada” com a presença de políticos que mobilizam discursos contra pessoas trans e outros grupos LGBTQIA+. Ela vê a reeleição de Erika Hilton como símbolo de resistência, mas afirma que a esquerda precisa de comunicação mais direta para alcançar quem não se identifica com o campo progressista.
“A gente tem que se organizar”, afirma. “É tempo de lutar, não de desanimar.” O show desta sexta começa às 21h, com ingressos a partir de R$ 70.

