A Vale projeta elevar a produção de cobre das atuais cerca de 380 mil toneladas para 700 mil toneladas até 2035, impulsionada principalmente por oportunidades em Carajás, no Pará. A afirmação foi feita pelo CEO da companhia, Gustavo Pimenta, durante o FT Metals & Mining Summit, em Londres, nesta quinta-feira (15).
Segundo Pimenta, a Vale Base Metals (VBM) responde hoje por cerca de 30% da contribuição para o EBITDA da mineradora, patamar que pode superar 40% nos próximos anos. “Acredito fortemente que nossa história no cobre é a mais subestimada do setor hoje. Temos o maior crescimento entre as grandes mineradoras”, afirmou.
O executivo disse que um projeto desenvolvido pela companhia apresenta, em média, metade da intensidade de capital de um projeto greenfield típico, por poder aproveitar estruturas como ferrovia e porto. Há dois projetos de cobre em construção, segundo ele.
Pimenta afastou uma abertura de capital da VBM no curto prazo. “O IPO pode ser um caminho se, em algum momento, quisermos recorrer aos mercados de capitais para financiar competitivamente algumas dessas oportunidades de crescimento. Mas não é um objetivo em si”, declarou.
No minério de ferro, o CEO avaliou que o mercado deve permanecer equilibrado mesmo com a entrada em operação de Simandou, na Guiné. Ele citou que o setor registra de 60 milhões a 80 milhões de toneladas de exaustão por ano, o que compensaria a nova oferta.
Pimenta também afirmou que a demanda da China segue sólida, com o país produzindo pouco mais de 1 bilhão de toneladas de aço bruto. Ele citou ainda o Vietnã, que está triplicando sua produção, e a Índia, com projeção de expansão de cerca de 170 milhões para aproximadamente 600 milhões de toneladas.
O executivo classificou como construtiva a relação com a China Mineral Resources Group (CMRG) e disse que a mineração representa cerca de 4% do PIB brasileiro, com espaço para ampliar essa participação. Citou a Austrália, onde o setor responde por mais de 10% do PIB.


