O recém-eleito senador Marcel van Hattem (Novo-RS) afirmou nesta terça-feira (6) que vai pressionar no Senado, a partir de 2027, pela abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em troca pública nas redes sociais, ele citou Gilmar Mendes entre os alvos da ofensiva.
Van Hattem, eleito pelo Rio Grande do Sul no domingo (4), respondeu a uma publicação de Gilmar. O ministro havia comentado o resultado das eleições e dito que disputas apertadas foram aceitas sem contestação relevante ao sistema de votação.
Na resposta, o senador disse que, com o início da próxima legislatura, começará a trabalhar pelo impeachment do ministro e de outros integrantes da Corte.
A ameaça ocorre em um momento de mudança na composição do Senado. Somados os eleitos agora aos que permanecem no cargo, 49 senadores são identificados com o campo da direita a partir de 2027.
O PL teve o maior avanço individual e elegeu 19 senadores no domingo. Esse crescimento não significa, por si só, que exista maioria pronta para afastar ministros do STF. O impeachment exige 54 votos para condenação, o equivalente a dois terços dos 81 integrantes.
Um levantamento do Ranking dos Políticos, porém, aponta que exatamente 54 senadores da próxima legislatura já se manifestaram favoravelmente à possibilidade de impeachment de integrantes do Supremo. O estudo considera tanto os atuais parlamentares que continuarão no mandato quanto os eleitos ou reeleitos em 4 de outubro.
Com a nova composição, temas como impeachment de ministros, limites a decisões monocráticas e mudanças nas competências da Corte tendem a ocupar espaço maior no debate legislativo a partir de 2027.

