A incerteza que encarecia as opções na sexta-feira (2) ficou mais barata depois do primeiro turno. Nesta segunda-feira (5), a volatilidade implícita de BOVA11, Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3) caiu de forma significativa nos vencimentos de outubro, com o BB registrando o maior ajuste, de cerca de 66% para 40%-42%.
No último pregão antes da votação, as opções próximas do dinheiro mostravam volatilidade implícita de cerca de 39% no BOVA11, 47% em PETR4 e 66% em BBAS3. Após o resultado, esses níveis passaram para aproximadamente 25%-26%, 34%-36% e 40%-42%, respectivamente, nos contratos com vencimento em 16 de outubro.
Para Matheus Medeiros, o Madruga, analista da Nomos, o movimento pode ser tratado como um “vol crush” — expressão usada para descrever uma queda rápida da volatilidade implícita depois de um evento que concentrava incerteza. “O primeiro turno reduz a incerteza imediata, mas não elimina o risco eleitoral”, afirma.
O BBAS3 carregava o maior prêmio antes das urnas e, por isso, teve mais espaço para reprecificação. A redução de cerca de 24 a 26 pontos percentuais foi bem superior à observada em BOVA11 e Petrobras. Medeiros explica que o banco tinha mais prêmio a ser retirado. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, já havia destacado que BBAS3 também carrega fatores próprios, como qualidade do crédito, provisões e exposição ao agronegócio.
O movimento pode parecer contraditório: os ativos subiram forte no mercado à vista enquanto a volatilidade caía. Mas são duas coisas diferentes. O preço mostra o movimento atual; a volatilidade implícita mostra quanto o mercado cobra pela incerteza futura. Uma ação pode subir e ter opções mais baratas se o mercado entender que parte da incerteza diminuiu.
Nos vencimentos de novembro, a volatilidade implícita de BOVA11 aparece na faixa de 24%-27% e a de PETR4, em 35%-37%, sem salto expressivo em relação a outubro. Isso reforça a leitura de que parte relevante da incerteza saiu dos preços, em vez de ser deslocada para frente. Medeiros ressalta, porém, que o risco eleitoral não desapareceu. O comportamento dos próximos vencimentos será importante para mostrar se essa incerteza volta a ganhar preço.


