O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em conversa com um de seus advogados, Walfrido Warde, que pretendia comprar uma maleta espiã que intercepta ligações e liga microfone de celular sem autorização judicial. O diálogo, de abril de 2024, foi extraído do celular de Vorcaro pela Polícia Federal e veio a público nesta semana.
Na conversa, Warde encaminha a Vorcaro uma reportagem sobre a aquisição do equipamento pelo Exército brasileiro. O diálogo ocorre pouco após ambos participarem de um evento jurídico financiado pelo Master em Londres, com ministros de tribunais superiores.
Quase duas horas depois de agradecer pelo convite, Warde envia o texto sobre a maleta espiã. “Fala irmao. obrigado por ter vindo. Essa é minha tb?”, responde Vorcaro. Warde retruca: “Essa máquina? Vamos comprar uma?”. Vorcaro conclui: “Vamos”. Warde reage com um coração.
Nesta sexta-feira (16), Vorcaro pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que determine a abertura de investigação sobre o vazamento de áudios, mensagens e outros conteúdos extraídos de seu celular, apreendido na Operação Compliance Zero. Os advogados afirmam que informações sob acesso restrito passaram a circular na imprensa.
O pedido surge após reportagens baseadas em áudios e mensagens atribuídos a Vorcaro, incluindo uma gravação sobre negociação para financiar um documentário sobre o presidente Lula e mensagens sobre uma suposta rede de prostituição com mulheres estrangeiras.
A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a participação dessas mulheres e possíveis irregularidades na contratação dos serviços. Vorcaro nega ter explorado ou desrespeitado mulheres e diz não reconhecer a autoria, a autenticidade e o contexto de parte do material divulgado.
Na manifestação ao STF, a defesa afirma não confirmar o teor de tudo o que veio a público e sustenta que os conteúdos podem ter sido manipulados. Os advogados pedem que o material obtido por meio dos supostos vazamentos não sirva de base para novas investigações contra Vorcaro.


