Em 1.360 locais de votação de São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o mais votado para presidente e Tarcísio de Freitas (Republicanos) para governador no primeiro turno. A dobradinha, apelidada de “Tarula”, venceu em 12% das seções eleitorais do Estado, segundo levantamento do Estadão.
O resultado contraria as alianças defendidas pelos dois adversários durante a campanha. Tarcísio apoiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, enquanto Lula patrocinou a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad (PT), que perdeu a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
A maior incidência do voto cruzado ocorreu em Rio Grande da Serra, na região metropolitana de São Paulo. No município, Lula e Tarcísio foram os mais votados em 76,47% dos 17 locais de votação. A cidade é administrada pelo prefeito Akira Auriani (PSB), que declarou apoio à reeleição do governador, mas afirmou ao Estadão apoiar o governo Lula pela relação com o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Na capital paulista, o fenômeno também apareceu. Lula venceu para presidente e Tarcísio para governador em 481 locais de votação, 23% dos 2.058 da cidade, proporção acima da média estadual. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia se engajado na campanha de Flávio.
Para o cientista político Jairo Pimentel, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), o voto cruzado reflete escolha pragmática do eleitorado, que decide com base nas realizações dos dois governos. “É um voto de um eleitor pragmático, que não vota ideologicamente, mas por benefícios recebidos”, disse.
No último domingo, Nunes reuniu prefeitos da Grande São Paulo para apresentar um mapa com dados da votação e discutir estratégias para o segundo turno. Em Carapicuíba, o voto Tarula prevaleceu em 61,67% das seções; em Itaquaquecetuba, em 65,33%.
Eduardo Boigues (PL), prefeito de Itaquaquecetuba, participou da reunião e afirmou que pretende usar sua popularidade para virar votos para Flávio. “Na minha cidade, pela minha popularidade, eu tenho condições de tentar buscar essa diferença agora”, disse.
Pimentel avalia que a margem de conversão é apertada, entre 1% e 2%, e que a mudança de voto depende do aumento da rejeição ao adversário. A campanha de Flávio espera contar com o engajamento de Tarcísio, que já participou de cinco agendas com o aliado no segundo turno.


