O voto para senador em Roraima vale cerca de R$ 34, enquanto em São Paulo o valor é de aproximadamente R$ 0,40, segundo estimativas com base nas regras de distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundão) para as eleições de 2026. A diferença é de 85 vezes.
Os cálculos consideram as regras vigentes para a divisão do Fundão e o volume distribuído por meio dessa verba em 2026, de praticamente R$ 5 bilhões, bancados pelo pagador de impostos. O fundo é a principal fonte oficial de recursos para os partidos gastarem durante as eleições.
Roraima é o Estado com o menor número de eleitores do Brasil, cerca de 400 mil. Sua bancada no Congresso tem o piso constitucional: 11 parlamentares, três no Senado e oito na Câmara. São Paulo tem 73 congressistas, 70 na Câmara e três no Senado, e 34 milhões de eleitores.
A legislação determina que 2% do Fundão seja repartido integralmente entre todos os partidos. O restante é dividido segundo a bancada de cada legenda, por meio de três modalidades com critérios distintos. Apenas uma trata todos os votos com igual valor: a que distribui conforme a quantidade de votos conquistada pela legenda na Câmara nas eleições anteriores.
Nas outras, a partilha ocorre conforme o tamanho da bancada: 15% pelo número de senadores e 48% pelo de deputados federais. Como cada Estado tem três senadores, o lugar com menos eleitores leva vantagem. Para a Câmara, a disparidade é menor porque a quantidade de parlamentares por Estado não é tão desproporcional.
A Constituição de 1988 determina limites para a diferença na Câmara: o teto de 70 parlamentares e o piso de 8. Cada deputado de São Paulo corresponde a 500 mil eleitores, enquanto são 50 mil em Roraima. O roraimense tem quase 10 vezes mais representação que o paulista, e essa distorção migrou para a distribuição do Fundão.
Em 2026, são três votos no Congresso: um para deputado e dois para senadores. A votação de um eleitor no menor Estado do país pode gerar em torno de R$ 170 para o mesmo partido. A do maior, pouco mais de R$ 20.

