Pesquisadores das universidades de Genebra e Marburg anunciaram uma nova estratégia no combate ao câncer, utilizando uma versão “espelhada” do aminoácido cisteína. O estudo, publicado na revista Nature Metabolism, destaca o potencial da D-cisteína para interferir no metabolismo de células cancerígenas sem afetar tecidos saudáveis.
A D-cisteína, uma forma rara do aminoácido, foi testada em células cancerígenas que possuem um transportador específico na superfície, permitindo a captação da molécula. Em contraste, células saudáveis não apresentam essa mesma facilidade de absorção.
Uma vez dentro da célula tumoral, a D-cisteína bloqueia a enzima NFS1, que é crucial para a produção de energia nas mitocôndrias. Sem essa enzima, as células cancerígenas entram em colapso funcional, produzindo menos energia e acumulando falhas no material genético, o que desacelera seu crescimento.
O oncologista Stephen Stefani, do Grupo Oncoclínicas, observa que a D-cisteína pode oferecer um efeito seletivo, concentrando-se nas células tumorais devido à diferença na “porta de entrada”. Em testes com camundongos, a substância demonstrou desacelerar o crescimento de tumores mamários agressivos sem causar toxicidade significativa.
Apesar dos resultados promissores, Stefani alerta que a transição de um conceito teórico para um tratamento clínico é complexa e repleta de desafios. Ele destaca que muitos conceitos não se traduzem em benefícios reais para os pacientes.
A D-cisteína pode não destruir as células tumorais, mas sim retardar sua multiplicação, o que a torna uma potencial terapia adjuvante. Isso poderia permitir que outros tratamentos atuem de forma mais eficaz.
Os próximos passos incluem a realização de estudos clínicos em humanos, começando com a fase 1, que avaliará segurança e dosagem. As fases subsequentes analisarão a eficácia da D-cisteína em comparação com tratamentos já estabelecidos.

