A busca por emprego no Brasil se tornou um desafio, com candidatos enfrentando longos processos seletivos e pouca comunicação das empresas. A engenheira de produção Samanta Santos relata que, após enviar sua candidatura, se compromete a um processo que inclui formulários extensos e testes, mas frequentemente não recebe retorno. ‘Existem vagas para as quais me inscrevi em outubro e nunca tive retorno’, desabafa.
Uma pesquisa global do LinkedIn revela que 77% dos brasileiros consideram os processos seletivos longos demais e 60% os veem como impessoais. Seis em cada 10 brasileiros acreditam que a busca por emprego ficou mais difícil no último ano, citando o aumento da concorrência (55%) e a maior exigência nos processos (50%) como principais fatores.
Com o desemprego em níveis historicamente baixos, trabalhadores empregados estão mais dispostos a buscar novas oportunidades. A pesquisa indica que 54% dos brasileiros pretendem buscar uma nova oportunidade em 2026, o que resulta em mais candidatos disputando as mesmas vagas. Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para a América Latina, afirma que as empresas precisam lidar com um número maior de perfis, o que exige decisões mais estratégicas.
Além da concorrência, a lentidão nos processos é atribuída a equipes mais enxutas e processos internos de aprovação demorados. Jhennyfer Coutinho, chefe da experiência para pessoas candidatas da Gupy, explica que a análise manual de currículos pode se tornar um gargalo, especialmente em empresas que recebem milhares de candidaturas rapidamente.
Os processos seletivos muitas vezes emperram nas etapas de validação humana, como entrevistas, que dependem de agendas e critérios subjetivos. Thomas Costa, head de growth da Redarbor, destaca que a escolha de candidatos se torna mais complexa quando muitos estão empregados, pois esses profissionais não têm a mesma urgência para responder.
A inteligência artificial, embora ajude na triagem inicial, também gera preocupações. Samanta Santos menciona que algoritmos podem filtrar currículos sem considerar o potencial dos candidatos. Dados do LinkedIn mostram que 29% dos entrevistados não entendem como a IA é utilizada nos processos seletivos.
A falta de retorno é uma das principais queixas dos candidatos, levando a um desgaste emocional. A Gupy reconhece essa percepção e, desde 2024, começou a fechar vagas inativas, identificando 24 mil vagas sem movimentação. Thomas Costa observa que algumas empresas mantêm processos abertos como estratégia para reaproveitar candidatos no futuro.
Para melhorar a experiência do candidato, especialistas sugerem que as empresas revisem suas etapas e aumentem a transparência nos processos. Jhennyfer Coutinho afirma que informar os candidatos sobre o andamento do processo pode reduzir a frustração. A ausência de feedback é vista como uma falha significativa, pois cria uma ruptura na comunicação.
Enquanto isso, Samanta continua sua busca, conciliando a procura por emprego com a rotina de cuidar de seus filhos. ‘Uma hora vai. Só queria que o caminho fosse menos escuro’, conclui.


