A casa de repouso localizada em Ribeirão Preto, SP, foi interditada pela segunda vez no dia 30 de março de 2026, após denúncias de irregularidades e condições precárias. A ação resultou na retirada de 19 idosos que viviam no local.
Vizinhos relataram situações de desespero e falta de higiene. Um morador, que preferiu não se identificar, afirmou que a Polícia Militar já havia fechado a instituição anteriormente, mas os proprietários reabriram logo em seguida. ‘A polícia esteve aí, fechou, continuou funcionando. Não fechou, não. Só fechou para reforma’, disse.
Uma determinação judicial de dezembro do ano anterior proibia o funcionamento da casa, mas essa ordem não foi cumprida. Desde a primeira notificação, há um ano, a instituição operava sem licença sanitária. A fiscalização encontrou fiação elétrica exposta perto de torneiras e chuveiros, além de muito entulho e sujeira.
A Vigilância Sanitária esteve novamente no local para realizar a retirada dos idosos. Treze deles foram reintegrados às suas famílias, enquanto três foram encaminhados para a Casa do Vovô e outros três receberam atendimento médico.
O promotor de Justiça Carlos Cezar Barbosa destacou a gravidade das irregularidades encontradas. ‘Lá tem todos os problemas. Lá tem instalações que são péssimas, falta de ventilação, excesso de camas, falta de higiene, falta de profissionais adequados. Então, tudo que é problema relacionado à vigilância tem lá’, afirmou.
A placa que indicava o nome da clínica foi removida após a primeira notificação em fevereiro do ano passado, o que, segundo o promotor, pode ser interpretado como uma tentativa de despistar a fiscalização. ‘Esse já é um indício claro de irregularidade. Você omite a placa para omitir que ali funciona um abrigo clandestino de idosos’, disse.
O juiz da Vara do Idoso, Paulo Cesar Gentile, comentou sobre a falta de investimento em instituições de longa permanência, que facilita a operação de locais irregulares. ‘Nenhum bar, nenhum salão de beleza, nenhum hotel deve funcionar sem ter antes um alvará de funcionamento da prefeitura municipal. O que dirá uma casa de repouso que vai acolher pessoas nessa condição’, ressaltou.
A Prefeitura de Ribeirão Preto afirmou que não houve omissão, já que a casa foi interditada e o caso foi encaminhado ao Ministério Público. A administração também informou que está trabalhando para aumentar o número de vagas em casas de apoio.
A casa de repouso, situada no Jardim Paulista, é alvo de fiscalização desde o início de 2025. A primeira interdição ocorreu em 14 de fevereiro do ano passado, quando a Vigilância Sanitária constatou que o estabelecimento funcionava sem a licença obrigatória. Apesar das sanções, a instituição continuou operando, e uma nova inspeção em dezembro de 2025 flagrou 20 pessoas abrigadas no imóvel, o que levou à decisão judicial definitiva.


