O governo da Argentina adiou os efeitos dos aumentos de impostos programados sobre combustíveis líquidos e dióxido de carbono, conforme um decreto publicado nesta quarta-feira (1º). A decisão ocorre em meio à instabilidade global causada pela guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã.
A medida visa apoiar o crescimento econômico por meio de medidas fiscais sustentáveis, segundo o decreto. O adiamento do aumento previsto de impostos sobre combustíveis líquidos e dióxido de carbono será por um mês, até o final de abril.
Esta é a segunda ação tomada pelo governo do presidente Javier Milei nos últimos dias, em resposta às oscilações nos preços da energia provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
Na sexta-feira (27), o governo flexibilizou alguns padrões de qualidade da gasolina, permitindo que refinarias locais adicionem voluntariamente até 15% de etanol à gasolina, reduzindo assim a dependência do petróleo.
Analistas afirmam que o aumento dos custos dos combustíveis pode impactar os preços de transporte e de consumo. A taxa de inflação mensal da Argentina se manteve estável em fevereiro, segundo dados oficiais, mas ainda ficou acima das expectativas, devido aos fortes aumentos nos custos de moradia, incluindo aluguel e serviços públicos.
Analistas do setor privado já haviam revisado para cima as projeções de inflação para 2026 antes da alta dos preços globais do petróleo bruto no final de fevereiro.
Outros países da América Latina também tomaram medidas para lidar com a incerteza decorrente do conflito no Oriente Médio. A Colômbia elevou a taxa básica de juros em 100 pontos-base na terça-feira (31), com o objetivo de conter as pressões inflacionárias. O Banco Central do Chile considerou brevemente a possibilidade de aumentar as taxas de juros na reunião de março, enquanto o México firmou um acordo voluntário com proprietários de postos de gasolina para limitar os preços dos combustíveis, segundo a presidente Claudia Sheinbaum.

