Com a chegada do outono e o aumento dos casos de infecções respiratórias no Brasil, surgem dúvidas sobre quais vacinas são necessárias e quando devem ser aplicadas.
As vacinas contra gripe, Covid-19, pneumococo e vírus sincicial respiratório (VSR) exigem decisões combinadas, guiadas por idade, condições de saúde e calendário vacinal. Não existe uma vacina que proteja contra todas as doenças respiratórias, e os imunizantes disponíveis se somam, não competem.
A vacina da gripe é atualizada anualmente para acompanhar as cepas do vírus influenza. A vacina pneumocócica protege contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, associada a pneumonia e meningite. A vacina contra o VSR é direcionada a um vírus que causa bronquiolite em bebês e pode levar idosos à internação.
A infectologista Maria Isabel de Moraes-Pinto, coordenadora de vacinas da Dasa, destaca que essas vacinas atuam de forma complementar e devem ser combinadas conforme o perfil de risco de cada paciente.
O ponto de partida para a vacinação é a idade. Crianças pequenas, gestantes, adultos e idosos têm calendários distintos. Doenças crônicas, como asma e diabetes, ampliam o risco de complicações e alteram a indicação de vacinas.
Algumas vacinas têm momentos estratégicos para aplicação. A vacina contra a gripe deve ser aplicada antes do pico de circulação do vírus, geralmente entre março e maio. A vacina contra Covid-19 não segue sazonalidade definida e recomenda-se reforços periódicos, especialmente para grupos de risco. A vacina pneumocócica pode ser tomada em qualquer época do ano, enquanto a do VSR é guiada pelo perfil do paciente.
As principais vacinas respiratórias podem ser administradas juntas, pois são feitas com vírus ou bactérias inativados. Segundo Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a aplicação no mesmo dia é uma estratégia para evitar atrasos no calendário vacinal.
Nenhuma vacina oferece proteção absoluta contra a infecção, mas elas reduzem a gravidade dos casos, diminuindo o risco de hospitalização e complicações, especialmente entre grupos vulneráveis.
As vacinas estão disponíveis tanto no SUS quanto na rede privada, com algumas diferenças. A vacina contra gripe está disponível no SUS para grupos prioritários, enquanto na rede privada há a versão de alta dose para idosos. A vacina pneumocócica faz parte do calendário infantil no SUS e na rede privada há versões mais amplas. A vacina contra o VSR entrou recentemente no SUS para gestantes.
A adesão às vacinas ainda está abaixo do ideal, com a cobertura contra influenza em torno de 55% entre grupos prioritários no último ano. A queda na confiança após a pandemia impactou a vacinação, e a percepção de risco mudou, levando muitas pessoas a deixarem de se vacinar.

