Documentos obtidos pela Polícia Federal (PF) revelam que Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, utilizava um ajudante para selecionar modelos e médicas para festas destinadas a autoridades. A apuração detalha a logística de contratação de mulheres no Brasil e no exterior, além de gastos milionários em viagens de luxo.
Stheve Lopes, de 34 anos, atuava na organização dos eventos, enviando links de perfis do Instagram com fotos sensuais para a aprovação de Vorcaro. O ex-banqueiro respondia com avaliações curtas sobre a aparência das mulheres. Entre as sugeridas, estavam duas irmãs modelos e uma endocrinologista que trabalha na Vila Olímpia, em São Paulo.
A operação incluía a reserva de hotéis e o aluguel de um bar na capital paulista. Em junho de 2024, a equipe organizou eventos paralelos ao Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza, idealizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O custo do roteiro em Portugal foi de US$ 1,6 milhão, incluindo DJs, dançarinas e dois jatos fretados para Brasília por US$ 232,6 mil.
A crise financeira do Banco Master impactou a rede de prestadores de serviço. No primeiro semestre de 2025, Lopes relatou a Vorcaro que sua agência estava com a operação parada e pediu mais trabalho. Posteriormente, o organizador queixou-se de dívidas acumuladas de dois meses no aluguel de um ponto comercial nos Jardins, com juros de 10 mil reais.
Em mensagens extraídas pela PF, Vorcaro admitiu à ex-noiva, Martha Graeff, que a presença de mulheres nas festas era estratégica. Ao ser questionado sobre os contatos, o ex-banqueiro afirmou que a prática fazia parte de seu “business” e que já havia realizado festas com 300 mulheres desse perfil.
A defesa de Vorcaro informou que a contratação de pessoas em eventos promocionais é comum e regular. Lopes declarou em nota que prestou serviços profissionais de organização e produção, negando ter recebido comissões sobre valores destinados a terceiros ou ter praticado atividades irregulares.

