O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta terça-feira (1º) o sigilo de documentos de uma investigação da Polícia Federal (PF) sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O material detalha negociações e contratos firmados com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes.
A Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A), enviada a Mendonça no dia 27, baseia-se em dados do celular de Vorcaro. A PF identificou que o banqueiro possuía quatro registros para o mesmo número de telefone, incluindo as nomenclaturas “Alexandre de Moraes BRASILIA” e “Eu STF”. O contato teria sido compartilhado por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, em dezembro de 2023.
O relatório aponta a negociação de um contrato de prestação de serviços entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes. Em 11 de janeiro de 2024, Viviane Barci enviou uma minuta ao banqueiro, cujo documento teve a última alteração feita pelo usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O contrato, assinado em 23 de janeiro de 2024, previa 36 parcelas de R$ 3 milhões, totalizando R$ 108 milhões.
Outro acordo, datado de maio de 2025, envolveu a empresa Viking Participações e a transferência de ativos, incluindo cotas de um avião Legacy 650, avaliado em US$ 5,5 milhões, e de um helicóptero EC 155 B1, de US$ 1,3 milhão. Registros de julho de 2025 mostram um pagamento de R$ 3,4 milhões e uma fatura de R$ 22,8 milhões em nome da Viking.
A PF registrou encontros entre Moraes e Vorcaro, incluindo um almoço em Campos do Jordão em dezembro de 2023. Mensagens de 2025 indicam que Vorcaro esteve com o ministro em diversas ocasiões. Em outubro e novembro de 2025, o banqueiro enviou questionamentos a Moraes sobre o avanço de investigações, possíveis medidas judiciais e a probabilidade de buscas ou quebras de sigilo.
O escritório Barci de Moraes informou que Alexandre de Moraes analisou o primeiro contrato a pedido do setor de compliance para verificar impedimentos legais. A defesa afirmou que não havia previsão de atuação do escritório no STF em processos do Banco Master, motivo pelo qual o contrato foi firmado.


