Duas montagens teatrais e uma exposição de fotografias e cartazes homenageiam a trajetória de Augusto Boal no Rio de Janeiro a partir deste mês. As atividades, organizadas pelo Instituto Augusto Boal, ocorrem nos bairros da Gávea e Botafogo, recuperando a obra do criador do Teatro do Oprimido, falecido em 2009.
No Teatro Municipal Domingos Oliveira, na Gávea, o espetáculo solo “Hamlet 16×8” está em cartaz até 27 de setembro. Protagonizada por Rogério Bandeira e dirigida por Marco Antonio Rodrigues, a peça utiliza a autobiografia “Hamlet e o filho do padeiro: memórias imaginadas” para cruzar a história de Boal com a de Iberê Bandeira de Melo, advogado de presos políticos durante a ditadura militar.
Ainda no Planetário, uma exposição curada por Daniela Camargo e Cecília Boal apresenta registros materiais da atuação do dramaturgo. O acervo do Instituto Augusto Boal reúne fotografias e cartazes que detalham a passagem do autor pelo Teatro de Arena, sua experiência como educador e a influência de seus métodos no teatro mundial.
Em Botafogo, o Teatro Poeirinha recebe a peça “Revolução na América do Sul”, com estreia nesta terça-feira (8) e temporada até 21 de outubro. Escrita há cerca de 60 anos, a trama acompanha José da Silva, um trabalhador que busca comida. A montagem atual, dirigida por Wellington Fagner, inclui a interação do personagem com um trabalhador uberizado.
Julian Boal, filho do dramaturgo e idealizador da temporada, afirmou que a obra permanece atual ao discutir a distância entre ter um emprego e garantir condições dignas de vida. O ator Cássio Duque, do elenco, disse que a peça reflete a precarização do trabalho e a situação política do país, especialmente em ano eleitoral.
Cecília Boal, psicanalista, atriz e presidente do instituto, explicou que a combinação entre política e humor é o que mantém a obra do marido vigente nos palcos. Segundo ela, se Boal escrevesse uma nova peça hoje, abordaria a situação política atual do Brasil.

