O banqueiro Daniel Vorcaro antecipou para 17 de novembro de 2025 uma viagem a Dubai que originalmente ocorreria no dia seguinte, segundo relatório da Polícia Federal (PF). A mudança aconteceu após Vorcaro enviar mensagem ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionando se deveria deixar o Brasil. Ele foi preso na noite de 17, enquanto tentava embarcar.
O itinerário inicial previa a saída do Aeroporto de Guarulhos às 23h10 do dia 18 de novembro, com escala em Milão. No sábado, dia 15, Vorcaro perguntou ao ministro via WhatsApp: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na manhã seguinte, ele informou a servidores do Banco Central que alterava a logística da transação para a venda do Banco Master, alegando pedidos de investidores estrangeiros.
A PF identificou que o celular do banqueiro continha quatro registros para o mesmo número de telefone, incluindo as nomenclaturas “Alexandre de Moraes BRASILIA” e “Eu STF”. O contato teria sido compartilhado por Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações, em dezembro de 2023. O relatório indica que Vorcaro escrevia textos em um aplicativo de notas e enviava capturas de tela ao ministro.
A investigação detalha um contrato de R$ 108 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões. Documentos mostram que o usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” realizou a última alteração na minuta do contrato em janeiro de 2024.
Outro contrato, datado de maio de 2025, envolvia a empresa Viking Participações e o mesmo escritório, citando a transferência de ativos como cotas de um avião Legacy 650 e de um helicóptero EC 155 B1. Em julho de 2025, foram registrados pagamentos ao escritório, incluindo uma fatura de R$ 22,8 milhões.
No dia seguinte à prisão de Vorcaro, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero e o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Dois servidores da autarquia, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, foram afastados sob suspeita de receber vantagens para auxiliar o banqueiro. As defesas contestam as acusações.
O escritório Barci de Moraes afirmou que o ministro analisou o primeiro contrato a pedido do setor de compliance para verificar impedimentos legais. A banca declarou que não havia atuação no STF em processos ligados ao banco, motivo pelo qual o contrato foi firmado.


