O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou no último domingo que a Inteligência Artificial Geral (AGI) foi alcançada pelo modelo Astra, da OpenAI. Segundo Huang, a tecnologia foi treinada com 100 mil chips Grace Blackwell, mas a declaração provocou reações mistas entre especialistas e queda de 2% nas ações da Nvidia nesta terça-feira (10).
O mercado financeiro reagiu ao anúncio após o feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos. Enquanto a CoreWeave subiu 15% e o SoftBank avançou 2%, a Nvidia registrou recuo. Gil Luria, chefe de pesquisa de tecnologia da D.A. Davidson, informou que as companhias mais expostas à OpenAI foram as que mais se valorizaram, indicando que o Astra devolve a liderança tecnológica à empresa.
A Nvidia reportou recentemente a maior receita trimestral da história do capitalismo, com US$ 96 bilhões, alta de 106% em relação ao ano anterior. A projeção de faturamento para o trimestre atual é de US$ 108 bilhões. Para analistas, o tamanho da companhia torna difícil a manutenção desse ritmo de crescimento, levando investidores a migrarem recursos para empresas menores.
A definição de AGI é alvo de debate. Huang já descreveu o conceito como a capacidade de criar uma empresa de US$ 1 bilhão. Já pesquisadores como Gary Marcus e Miles Brundage propõem critérios mais rigorosos, como a habilidade de escrever roteiros de cinema ou aprender videogames em poucas horas. Basil Halperin, economista da Universidade da Virgínja, afirmou que a AGI ainda não foi alcançada.
Halperin argumentou que o sinal real da AGI apareceria nas taxas reais de juros, que subiriam se a IA elevasse significativamente o crescimento econômico. Atualmente, as taxas subiram entre três e quatro pontos percentuais desde 2021. Um estudo do MIT indica que os rendimentos de títulos do Tesouro americano costumam cair após lançamentos de modelos de IA, sugerindo decepção do mercado.
Pesquisas indicam que especialistas e o público esperam que a IA adicione cerca de meio ponto percentual ao crescimento do PIB. A previsão de Halperin para os próximos cinco anos é de um ciclo semelhante ao boom da internet dos anos 1990, porém duas vezes mais rápido e intenso, sem representar uma singularidade tecnológica.

