A oftalmologista Maria de Fátima Neri alertou, nesta sexta-feira (11), durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), em Salvador, sobre a importância do diagnóstico precoce da baixa visão na infância para evitar prejuízos ao aprendizado escolar, ao desenvolvimento motor, cognitivo, social e à autonomia da criança.
A médica explicou que a condição não se resume a uma redução da acuidade visual. Segundo Neri, a baixa visão pode comprometer a percepção visual, a exploração do ambiente e a comunicação. Ela afirmou que intervenções rápidas aumentam as chances de a criança aproveitar a visão residual e desenvolver estratégias funcionais para o futuro.
Entre as principais causas citadas estão as retinopatias causadas por sífilis, toxoplasmose e citomegalovírus, além de catarata e glaucoma congênitos. A lista inclui ainda anomalias do nervo óptico, albinismo, distrofias hereditárias da retina, alta miopia, doenças neurológicas, deficiência visual cortical ou cerebral e prematuridade.
A avaliação deve considerar o que a criança consegue fazer com o resíduo visual e como isso interfere nas atividades diárias. A oftalmologista disse que é fundamental ouvir a família e observar sinais como a aproximação excessiva dos olhos aos objetos, tropeços frequentes, fotofobia, dificuldade em ambientes pouco iluminados e atraso no desenvolvimento sem causa definida.
O processo de habilitação deve envolver estimulação visual funcional, recursos ópticos e não ópticos, tecnologia assistiva, orientação e mobilidade. A médica informou que o tratamento requer a atuação de terapia ocupacional, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, pedagogia e orientação familiar.
“Encaminhar precocemente uma criança com baixa visão não é apenas tratar a visão; é proteger o desenvolvimento, a autonomia e o futuro dela”, disse a especialista.

