Documentos da Polícia Federal (PF) indicam que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teve acesso a informações sigilosas sobre a investigação que resultou em sua prisão em 17 de novembro de 2025. O relatório, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que o banqueiro sabia que seria alvo de operação policial antes do cumprimento das medidas judiciais.
Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, enquanto se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. A prisão ocorreu um dia antes da deflagração das demais etapas da operação. A divulgação dos autos foi determinada pelo ministro André Mendonça, após pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
A apuração detalha que, em 21 de outubro de 2025, o ex-controlador registrou no celular nomes de delegados, agentes da PF e procuradores da República. Em anotação do dia 30 do mesmo mês, Vorcaro citou ter “amigos” dentro do Banco Central (BC) que estariam preocupados e que as informações eram confiáveis por virem de quem participava das discussões.
Indícios de vazamentos também teriam alcançado o Judiciário. No dia 16 de novembro, Vorcaro questionou a proximidade de um interlocutor com o juiz federal Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal de Brasília, responsável pelas cautelares sigilosas do caso. Dois dias antes da prisão, o ex-banqueiro teria perguntado ao ministro Alexandre de Moraes se deveria deixar o país.
Na véspera da operação, Vorcaro recebeu mensagens urgentes do advogado Walfrido Warde e organizou a viagem ao exterior. No mesmo dia, o site O Bastidor publicou reportagem sobre o inquérito, texto que foi usado por Warde para pedir acesso aos autos. O jornalista Diego Escosteguy, citado na investigação como beneficiário de repasses, negou irregularidades e afirmou que a relação com o empresário era profissional, ligada a patrocínios e publicidade.
Para justificar a saída do Brasil, Vorcaro realizou uma reunião virtual de emergência com Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do BC, com auxílio dos servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Na ocasião, ele alegou a venda do Banco Master ao Grupo Fictor e a necessidade de viajar a Dubai para assinar contratos. A PF concluiu que o encontro foi articulado para criar uma justificativa formal para a fuga.

