A China expande a aplicação de interfaces cérebro-computador do ambiente laboratorial para usos clínicos e industriais em Xangai. A tecnologia, que estabelece comunicação direta entre o cérebro e equipamentos externos via sinais neurais, foi incluída como prioridade no 15º Plano Quinquenal do governo chinês para o período entre 2026 e 2030.
O desenvolvimento ocorre no Cluster da Indústria do Futuro para Interface Cérebro-Computador, no distrito de Minhang. O espaço concentra sistemas de reconstrução visual, dispositivos de reabilitação motora e protótipos de interação homem-máquina. O Brain Intelligence Valley, primeiro polo nacional do setor, já abriga mais de 50 empresas, o que representa cerca de 60% das companhias da área em Xangai.
A Neuracle Technology (Xangai) Co., Ltd. desenvolveu o primeiro dispositivo médico invasivo de interface cérebro-computador aprovado para comercialização no mundo. O sistema foca na compensação da função motora das mãos por meio de eletrodos implantados entre o crânio e a dura-máter. Wang Yujing, diretora de produto da empresa, informou que autoridades do seguro de saúde orientam a codificação do produto para viabilizar a cobertura dos custos para os pacientes.
Outra frente de atuação é a da MingShi Brain Computer Technology, que trabalha na reconstrução da visão para pacientes cegos. O sistema utiliza eletrodos implantados cirurgicamente para estimular o córtex visual. Chen Wenkai, diretor comercial da companhia, afirmou que a tecnologia está em fase de estudos clínicos e já proporciona recuperação parcial da função visual, com acuidade de aproximadamente 0,1.
A demanda por soluções visuais é alta, com cerca de 9 milhões de pessoas com cegueira total na China e mais de 43 milhões no mundo. Gu Yaoqiang, presidente da Shanghai New Hongqiao International Medical Center Development Co., Ltd., explicou que o parque reúne incubadoras e centros de transformação clínica para criar um ecossistema de inovação que amplie o acesso aos serviços especializados.

