Eleitores suíços rejeitaram neste domingo (27) uma proposta que adotaria forma mais restritiva de neutralidade e poderia impedir o país de impor sanções econômicas ou cooperar com a Otan. Todos os cantões e cerca de 70% dos eleitores votaram contra a medida, segundo resultados finais do Escritório Federal de Estatística.
A proposta previa incluir na Constituição suíça uma definição mais rígida de neutralidade. A rejeição foi categórica: nenhum cantão apoiou a mudança.
O ministro das Relações Exteriores, Ignazio Cassis, afirmou que o resultado não é um voto contra a neutralidade. “A Suíça era neutra ontem, é neutra hoje e continuará neutra no futuro”, disse em coletiva de imprensa.
A neutralidade suíça é reconhecida internacionalmente desde o fim das guerras napoleônicas, em 1815, mas a forma como o governo a implementa não está explícita na legislação.
O Partido Popular Suíço (SVP), de direita, que apoiou a proposta, afirmou que a posição tradicional do país ficou prejudicada após Berna impor sanções à Rússia depois da invasão da Ucrânia.
A campanha financiou cartazes em todo o país instando as pessoas a votarem “Não à guerra, sim à neutralidade”, com pombas brancas da paz.
Cassis disse que a rejeição permite que a Suíça continue decidindo sobre sanções econômicas caso a caso e coopere com parceiros quando isso fortalecer a segurança do país, que, segundo ele, também depende da segurança de seus vizinhos e do continente europeu.

