Duas amigas de 28 anos, que preferem não dar o sobrenome, acampam na Puerta del Sol de Madri desde o terceiro dia de protestos por moradia na cidade. Elas apontam os pequenos proprietários como responsáveis pelo aumento dos preços dos aluguéis e deixam um recado na barraca antes de ir ao trabalho.
Iria e Laura são amigas desde a universidade e companheiras de piso há seis anos. No terceiro dia de protestos, elas se plantaram na Puerta del Sol, onde dormem todas as noites, exceto quando há algum revezamento ocasional.
Pela manhã, as duas vão trabalhar: uma em uma clínica de psicologia, a outra em uma associação de acompanhamento a menores em risco de exclusão. Antes de sair, fecham a barraca e penduram uma cartolina rosa com a frase: “Luego volvemos. Estamos trabajando para nuestro casero”.
O movimento de moradia na Espanha tem direcionado críticas aos pequenos arrendadores, que seriam, na visão dos manifestantes, parte do problema do encarecimento dos aluguéis. A ação em Madri ocorre em um contexto de crescente tensão no país sobre o acesso à habitação.
As duas jovens integram um grupo maior de manifestantes que ocupam a praça central da capital espanhola. A presença delas é parte de uma onda de protestos que se espalha por várias cidades do país.
A reportagem não identificou as sobrenomes das manifestantes, que preferiram preservar a identidade. A Puerta del Sol é um dos pontos turísticos mais movimentados de Madri e palco frequente de manifestações políticas e sociais.

